Normas Éticas para Líderes Educacionais

cpaj

08 February 2019

No Comments

Home Blog

Normas Éticas para Líderes Educacionais

A lista de normas éticas e princípios correlatos que pode ser estabelecida para os líderes educacionais é interminável, mas talvez as quatro áreas tratadas neste artigo possam ser destacadas como de suprema importância para os administradores superiores e para a adequada gestão de instituições educacionais.

 

A seleção se baseia na experiência própria e na apreensão subjetiva do autor, levando em conta prescrições bíblicas testadas pelo tempo e ditos de sabedoria que têm constituído o âmago da duradoura cultura judaico-cristã. Uma vez que a lista prescrita para a liderança está relacionada com a ética, é necessário que abordemos as normas com uma discussão inicial da questão do discernimento entre ações certas e erradas.

 

  1. SEGUINDO O CAMINHO CERTO: DISCERNINDO CERTO E ERRADO

O Dr. Ron Hawkins, em uma vídeo-aula sobre ética pessoal, declara que a ética “implica em fazer a coisa certa” e em “apoiar-se na verdade”.2 Portanto, o entendimento apropriado dos conceitos de “o que é certo?” e “o que é a verdade?” é essencial para se discernir entre o certo e o errado. Hawkins também diz que é muito importante que se almeje “terminar bem” (2Tm 4.7), e isso só pode ser alcançado se for seguido um caminho certo. Os líderes do campo educacional, onde outros são orientados e treinados, devem ter um nítido senso de certo e errado, e seguir princípios adequados no exercício de sua vocação e profissão.

 

Apesar da multiplicação do conhecimento e do avanço da ciência e dos padrões de vida, a cultura mundial neste século 21 está em confusão. Não parece existir muito progresso ético ou moral, e posturas comportamentais que deveriam ser inaceitáveis são aplaudidas como passos para se implementar uma saudável diversidade e inclusão. Apelando à cosmovisão bíblica, Blackaby e Blackaby dizem: “A sociedade se deteriorou a tal ponto que, como aqueles da época do profeta Jeremias, as pessoas se esqueceram de sentir vergonha” (Jr 8.12).3

 

Evidentemente, existem algumas tentativas seculares de estabelecer normas éticas no campo educacional. Por exemplo, Rebore diz que “cultivar as virtudes da prudência, justiça, coragem e temperança pode auxiliar os líderes educacionais no exercício ético de suas responsabilidades”.4 Mas de que maneira seriam definidos certo e errado como base para entender a prudência, a justiça, etc.? Rebore oferece duas abordagens: (1) a abordagem indutiva, “que começa com a experiência humana” e que é o conceito seguido pela maior parte dos atuais teóricos comportamentais, considera que os padrões e princípios podem mudar à medida que a experiência humana muda ao longo do tempo, ou (2) o “objetivismo ético”, que sustenta que “alguns princípios éticos são universais para todas as pessoas em todas as épocas”.5 O pensador cristão obviamente se inclinaria para este último. Rebore até mesmo oferece, como proponentes, alguns nomes relacionados com a cultura cristã (Tomás de Aquino, Jacques Maritain, Louis Pojman), que escreveram amplamente sobre o conceito de Lei Natural. Mas, ao mesmo tempo, ele diz que essa lei natural “decorre da natureza essencial da humanidade”.6 Ele também fala sobre o princípio da universibilidade, que é explicado como um meio de julgar se uma ação é certa ou errada. Ele escreve: “Basicamente, esse princípio faz a pergunta: ‘Todos os que têm a mesma característica e valores que a pessoa que realiza a ação agiriam de modo semelhante?’. Uma resposta ‘sim’ irá ratificar a ação”.7

 

À primeira vista, parece que temos aqui uma perspectiva secular que defende pelo menos a possibilidade de princípios e valores universais. Mas, na verdade, isso fica aquém do tipo de absolutos que são inerentes à cosmovisão cristã. Numa cosmovisão cristã, as pessoas agem com base em princípios e verdades universais porque estes procedem de Deus. O bem é bom porque Deus diz que deve ser assim. Os líderes cristãos creem em uma universalidade de princípios, não em  niversibilidade. Princípios eternos são universais quando procedem de Deus; eles não se tornam universais porque são feitos universais em uma dada cultura, por pessoas com as “mesmas características e valores”, como Rebore tenta explicar. Pessoas éticas, agindo com base em princípios fundamentais, transformam a cultura, não simplesmente se conformam a ela.

 

Princípios permanentes devem ser aplicados em contextos transculturais, como quando Paulo instruiu o jovem Tito a colocar em ordem uma situação caótica em uma cultura corrompida (Tito 1-2), mesmo quando esses princípios são inaceitáveis, inicialmente, nessa cultura específica e diferente. Se as normas éticas abrigam princípios verdadeiros, eles serão válidos para qualquer cultura.

 

Uma cultura de mentiras e cinismo somente será transformada por meio da verdade e honestidade, que são valores eternos e universais. Rebore, expressando que a lei natural “decorre da natureza essencial da humanidade”, parece tratá-la simplesmente como outra maneira de expressar o enfoque indutivo.8 A fonte continua a ser a humanidade; ela permanece uma concepção de ética meramente horizontal, e está fadada a ser ineficaz, pois os seres humanos mudam e os padrões, assim definidos, mudarão com eles.

 

A Bíblia é, portanto, um sólido padrão sob o qual as posturas comportamentais podem ser medidas, e esse pensamento está bem explicado em muitos bons livros sobre ética e liderança, tais como o de Blackaby e King, que defendem que as Escrituras devem ser a fonte de fé e prática para os líderes.9 Certo e errado são objetivamente definidos por Deus e concretamente revelados em sua lei. Tanto nossas ações quanto nossas motivações estão relacionadas com Deus, e são julgadas por Deus, ao invés de serem subjetivamente definidas pelos homens. “Se você pensa que tudo o que faz é certo, lembre que o Senhor julga as suas intenções. Faça o que é direito e justo, pois isso agrada mais a Deus…” (Pv 21.2s, NTLH).

 

Portanto, Deus é a âncora metafísica de todo o pensamento, a fonte de conhecimento e sabedoria, e sua Palavra revelada apresenta princípios imutáveis sobre os quais os princípios éticos estão edificados. Os educadores cristãos, em especial, têm acesso ao que é definitivamente certo e errado, e não dependem da mutável intuição humana individual ou coletiva, ou de outros fatores, para avaliar e definir o comportamento e elaborar normas éticas de liderança.10 Com essa compreensão, os critérios subjacentes das quatro normas de liderança ou áreas de interesse apresentadas a seguir levam em consideração essa universalidade e a permanente aplicabilidade desses princípios dados à humanidade pelo Criador.

 

  1. QUATRO NORMAS ÉTICAS

Chamado, caráter e competência são os três “cês” de liderança propostos por George Barna e citados por Blackaby e Blackaby.11 Certamente, a liderança eficaz requer um senso de chamado para a missão (o primeiro “c”) e competência em habilidades de liderança (o terceiro “c”), junto com um profundo conhecimento do campo em que a liderança será exercida. Isso é essencial para o líder. Mas é sob o caráter (o segundo “c”) que as normas e princípios éticos devem ser alinhados e detalhados, pois um bom caráter é a soma de todas as ações corretas que irão definir a personalidade do líder, sem o qual a competência e até mesmo o chamado podem ser ineficazes.  Quatro dessas normas essenciais relacionadas com a liderança ética são aqui examinadas. Cada norma é explicada utilizando os estudos prévios do autor e discutida com seus respectivos fundamentos referenciais.

 

2.1 Honestidade, integridade e pureza

Trabalhar com e transmitir a verdade é algo essencial para uma liderança adequada, visto que está no coração do processo de ensino-aprendizagem. É parte de uma cosmovisão cristã. Não obstante, o líder educacional deve não somente transmitir a verdade, mas também ser verdadeiro e honesto. Blackaby e Blackaby observam que o fundamento da ética e dos princípios de um líder educacional é o seu caráter.12 A presença de um notório estilo de vida e caráter pecaminoso em um contexto escolar não constitui uma opção para os líderes educacionais cristãos, mas uma questão de viver as convicções doutrinárias, e também se choca com a obrigação que esses líderes têm de proteger os que estão confiados aos seus cuidados.

 

Integridade significa completude. Aplica-se a uma pessoa que é completa em seu caráter, transparente diante do mundo e que deseja apresentar-se integralmente diante de Deus. Pureza é nada menos que honestidade na área do comportamento sexual, quer para com o cônjuge, para si mesmo ou para com os outros. É ausência de comportamento inadequado, especialmente para com aqueles que estão sendo liderados, inclusive estudantes. O livro de Provérbios está repleto de fortes advertências contra uma vida imoral. O capítulo 7 descreve um jovem que se coloca em uma situação perigosa e é aconselhado a evitar isso. Muitas vidas e carreiras de líderes e mestres têm sido destruídas por causa de pecados sexuais, mesmo em escolas cristãs. Os líderes cristãos, professores e administradores escolares devem proteger as crianças, e não colocá-las no caminho do perigo sexual.

 

É notável que mesmo um contexto não cristão pode reconhecer o valor da honestidade, pois sem normas honestas a confiança pessoal desaparece e a vida e a gestão de uma escola se tornam uma tarefa impossível. A verdadeira ética requer que se apele a padrões universais de certo e errado, como já foi demonstrado.

 

Rebore escreve que uma cultura escolar positiva deve incluir “valores, normas, expectativas e sanções” e que “se espera que o administrador seja… uma pessoa de honestidade e integridade”.13 Portanto, todo líder educacional precisa entender que honestidade, integridade e pureza devem ser uma parte integral da cultura escolar, mas, antes disso, ele/ela deve ter esses princípios profundamente arraigados em sua própria vida. De outro modo, a liderança eficaz será prejudicada. Se a busca é pela justiça, o livro de Provérbios emite a advertência de que “quando a verdade é dita, a justiça é feita, mas a mentira produz a injustiça” (12.17, NTLH).

 

Ser honesto também significa ter a coragem de denunciar a desonestidade. Rebore, escrevendo sobre normas e políticas, observa que isso inclui o dever de todo empregado de denunciar transgressões “quando existe razoável evidência de que houve uma violação de política ou lei”.14 Um exemplo disso pode ser visto no Código de Ética do Estado da Virgínia, que, em seu ponto 7, declara: “Expor mediante meios e canais apropriados qualquer evidência descoberta de corrupção, conduta imprópria ou negligência do dever”.15 Portanto, a honestidade, a integridade e a pureza devem estar entrelaçadas no código de ética de uma escola e ser parte de sua cultura, ao passo que a mentira não deve ter parte na liderança educacional cristã.

 

Ultrapassar essas normas éticas pode ter consequências drásticas. Le Coz relata sobre o diretor de uma escola primária do Mississipi que deu instruções a alguns professores sobre como ajudar os estudantes a trapacear em seus testes de avaliação estadual.16 Como se pode esperar honestidade de estudantes e professores, em suas disciplinas, se a liderança age dessa maneira? Rebore trata de atitudes como essa dizendo que “ações não éticas de indivíduos podem ter um poder que transcende o indivíduo e podem induzir outros a serem não éticos”.17 As instituições educacionais precisam de estabilidade e fidedignidade.

 

“A liderança em última análise se baseia na confiança”, escrevem Blackaby e Blackaby, e acrescentam: “Quando os líderes têm integridade, seus seguidores sempre sabem o que esperar”.18 Certamente honestidade, integridade e pureza são fundamentos necessários de comportamento ético para líderes educacionais.

 

2.2 Adequada gestão de comunicação

Pode-se perguntar por que a comunicação é uma questão ética. A resposta é que todos defendem a boa comunicação, mas essa expressão pressupõe imediatamente uma distinção entre o bem (certo) e o mal (errado), e essa distinção está no coração da ética. A má comunicação existe. Possivelmente, ela até mesmo ultrapasse a boa comunicação. As palavras escritas ou faladas podem ser enganosas e não direcionadas honestamente; ou, quando são diretas, podem ser abruptas e impiedosas e transgredir os princípios que estão embutidos na cultura judaico-cristã sobre liderar de maneira piedosa (“há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura”, Pv 12.18, NVI).

 

Rebore ensina que a liderança requer comunicação e que “não se pode ser um mau comunicador e um bom líder”.19 A comunicação está no coração do processo educacional. E, no entanto, “os líderes escolares tomam inúmeras decisões, mas não recebem adequada preparação para comunicar suas decisões aos pais, alunos e professores”.20 A importância da comunicação para uma liderança eficaz também pode ser vista quando se percebe que toda “comunicação terá consequências”,21 para o bem ou para o mal. Vidas podem ser destruídas ou aperfeiçoadas por ela.

 

A comunicação também está no coração do cristianismo, não somente porque ele está centralizado em uma mensagem que precisa ser comunicada, mas também porque seus ensinos devem moldar a vida e a prática dos cristãos, especialmente se eles são líderes educacionais. Provérbios 12.25 e 25.11 declaram: “O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima” e “A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata” (NVI). Churchill entendeu o poder da comunicação e “que escolher a palavra certa era essencial para o sucesso de um líder”.22

 

No cenário contemporâneo, o líder educacional deve estar ciente do enorme impacto das mídias sociais e da necessidade de ter cautela com a má comunicação e com o dever de tomar cuidado com palavras que podem tão facilmente se difundir em frases rápidas, em mensagens de texto ou em postagens impensadas. As palavras de uma pessoa estão sujeitas a esta advertência:

 

“Com a língua bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (Tg 3.9, NVI). A comunicação é a tarefa de codificar/descodificar no trabalho diário dos líderes educacionais e professores, sendo uma habilidade necessária para o seu chamado. A boa comunicação que produz conhecimento deve ser transmitida. Os professores cristãos podem agir como Paulo fez com o jovem pastor Timóteo (2Tm 2.2), esperando que ele retransmitisse o que tinha ouvido do próprio Paulo, para que os ouvintes de Timóteo transmitissem a outros o que tinham aprendido.

 

2.3 Uma correta compreensão do conhecimento, da verdade e do comportamento de desenvolvimento humano

As teorias educacionais populares na atualidade, especialmente a educação progressiva, o construtivismo e o neoconstrutivismo, sustentam em comum que o conhecimento é algo privado, particular, construído internamente. O indivíduo produz o seu próprio conhecimento.23 Biesta observa que nessas teorias atuais “os estudantes precisam construir suas próprias percepções, entendimentos e conhecimento”.24

 

Os líderes educacionais devem ser realistas e saber que as pessoas não são perfeitas, mas devem transmitir, àqueles que estão sendo guiados, que as únicas teorias sobre comportamento do desenvolvimento humano que incentivam os professores são aquelas baseadas no fato de que verdadeiro conhecimento e a verdade são uma possibilidade real para a humanidade. Esse é o conceito de conhecimento e verdade encontrado na Escritura. Os líderes podem incutir motivação apresentando a descoberta do conhecimento não somente como um dever acadêmico, mas como uma atividade agradável. Preceitos bíblicos como “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8.32) devem ser levados a sério, e uma adequada liderança educacional conduzirá as pessoas por um caminho de verdadeira liberdade, e não de licenciosidade.

 

Portanto, a verdade real existe. Jesus é “o caminho, a verdade, e a vida” (Jo 14.6). Sustentando a transmissão do conhecimento, da verdade e de princípios e valores como reais responsabilidades, o líder escolar pode criar um ambiente de aprendizado de esperança, e não de desespero. O ponto chave é: De onde extraímos os princípios e conceitos básicos do comportamento de desenvolvimento humano? Para os líderes educacionais cristãos, eles devem vir, fundamentalmente, das Escrituras.

 

2.4 Humildade e solidariedade com os necessitados

Os líderes educacionais devem ser humildes, como ensina Provérbios 3.7: “Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal” (NVI). Provérbios também declara que Deus abomina a soberba (16.16-17). Muitas vezes, a humildade é vista como uma fraqueza, mas é, antes disso, uma característica poderosa dos líderes eficazes. Blackaby e Blackaby afirmam que “poucas coisas são tão poderosas quanto líderes que veem a si mesmos com uma perspectiva correta e humilde” e que “o orgulho fecha as mentes”.25

 

De fato, as mentes daqueles que estão sendo conduzidos são fechadas, assim como a mente daquele que pretende conduzir. A verdadeira humildade afasta o foco do líder de si mesmo, concedendo sensibilidade para com as necessidades dos outros e motivando a solidariedade e a generosidade. As ações serão guiadas por princípios como: “Quanto lhe for possível, não deixe de fazer o bem a quem dele precisa. Não diga ao seu próximo: ‘Volte amanhã, e eu lhe darei algo’, se pode ajudá-lo hoje” (Pv. 3.27s, NVI). Certamente isso significa que o líder educacional precisa ser sensível àqueles que possuem necessidades especiais. Esse conceito de liderança serva tem sido desenvolvido e apreciado no mundo corporativo há quase duas décadas,26 e, assim, “escritores seculares estão abraçando ensinos cristãos com o fervor dos cristãos do primeiro século.27

 

Os líderes cristãos precisam saber que a verdade que liberta as pessoas (Jo 8.31s) produz líderes que se apegam ao exemplo dado por Cristo de uma liderança serva, e transforma as suas ações, porque a verdadeira liderança é inseparável do amor (Sl 26.3). Van Brumellen coloca assim: a verdade “não é só uma declaração correta, mas uma ação reta”.28 Os líderes cristãos devem ter uma vida de oração, humildemente diante de Deus, mas, antes de orar pelos outros, precisam orar muito por si mesmos. Paulo deu a sequência correta de prioridades quando escreveu: “Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina” (1Tm 4.16). Quanto mais uma pessoa ora, mas ela se conscientizará de sua dependência de Deus, a cada passo de sua vida, e mais será motivada para servir os outros.

 

Se os líderes abandonam a humildade e são tomados pelo orgulho, eles “irão perder a compaixão por aqueles que estão conduzindo”.29 A advertência é clara: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda” (Pv 16.18, NVI).

 

OBSERVAÇÕES FINAIS

A liderança educacional irá envolver muitas decisões, atitudes corretas e um senso de certo e errado, para que ocorram bons resultados. Rebore diz que “a dignidade humana de cada pessoa é o fundamento de toda tomada de decisões”.30 Os líderes cristãos reconhecem a dignidade humana, porém com base no ensino bíblico de que todo ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus e, portanto, sevem a Deus quando servem a humanidade (Mt 10.42).

 

A história e a vida de Daniel, na Bíblia, é um grande exemplo de liderança ética. A história registra como ele foi fiel mesmo em um contexto secular que era contrário às suas crenças e “não puderam achar nele falta alguma” (Dn. 6.4). Ele foi assim descrito quando ocupava uma posição muito elevada no reino da Babilônia. Certamente a plena obediência a Deus era central em sua vida. Muitas vezes se pensa que os desafios éticos enfrentados pelos líderes na era presente são maiores que aqueles que outros servos de Deus tiveram de encarar em sua época. Essa história mostra que não é assim. É preciso grande dependência humilde de Deus para se ter firmeza de fé e perseverança neste mundo tantas vezes escuro.

 

Um líder educacional que tiver as normas éticas aqui expostas sempre irá agir no melhor interesse dos alunos. A abordagem da liderança serva irá assegurar uma conduta que enxerga de modo mais profundo, almeja o que está mais além e pode alcançar um terreno mais elevado, pelas misericórdias de Deus.

 

ABSTRACT

This paper deals initially with the matter of discerning right and wrong actions so that a correct path of leadership can be followed, and defends that there are universal principles and values that must be followed and applied. In the sequence, it presents four core ethical guidelines with principles for educational leaders, selected from prescriptions provided by scholarly books, journal articles and graduate lectures. The selection is based on the author’s own experience and subjective apprehension of importance, taking into consideration time-tested biblical injunctions and wisdom sayings that have formed the core of the long-lasting Judeo-Christian culture. It then discusses the following four ethical guidelines or areas of concern: (1) honesty, integrity and purity; (2) proper communication management; (3) a right comprehension of knowledge, truth and human development behavior; and (4) humility and solidarity to those in need. Each guideline is explained and given its referential foundation. The purpose of this discussion is not only to record a personal assessment, but to cause reflection about the utmost need that such guidelines be followed and that their principles be thoroughly present in the lives and actions of educational leaders.

 

KEYWORDS

Ethical principles; Leadership; Educational ethics; Christian educational leaders; Right and wrong; Communication; Honesty; Integrity; Purity; Solidarity.

Francisco Solano Portela Neto é presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil e Diretor Operacional da Educação Básica do Instituto Presbiteriano Mackenzie. É formado em matemática aplicada pelo Shelton College (Cape May, NJ: 1967-1971) e tem mestrado em teologia pelo Biblical Theological Seminary (Hatfield, PA: 1971-1974). É doutorando em educação (Ed.D.), pela Liberty University (Lynchburg, VA: 2016-). Foi presidente e vice-presidente da Junta de Educação Teológica da IPB. É autor de várias obras de cunho teológico, educacional e de gestão empresarial.

1 Este texto foi escrito originalmente como um trabalho acadêmico para a Liberty University. Tradução de Alderi Souza de Matos.

2 HAWKINS, R. Ethical practices on a personal level. Vídeo. Disponível em: https://download.liberty.edu/courses/gddxr.mp4.

3 BLACKABY, H. e BLACKABY, R. Spiritual leadership: Moving people on to God’s agenda. Nashville, TN: B&H Publishing Group, 2011, p. 10.

4 REBORE, R. W. The ethics of educational leadership. 2ª ed. Upper Saddle River, NJ: Pearson, 2014, p. 3.

5 Ibid., p. 39.

6 Ibid.

7 Ibid., p. 31.

8 Ibid., p. 39.

9 BLACKABY, H. e KING, C. Experiencing God: How to live the full adventure of knowing and doing the will of God. Nashville, TN: Broadman & Holman, 1994.

10 PEARSON, C. Ethics related to principle. Vídeo. Disponível em: https://download.liberty.edu/courses/e691z.mp4.

11 BLACKABY e BLACKABY, Spiritual leadership, p. 34.

12 Ibid., p. 147-179.

13 REBORE, The ethics of educational leadership, p. 143, 153.

14 Ibid., p. 175.

15 Department of Education of the State of Virginia. Code of Ethics, s/d. Disponível em: http://www.doe.virginia. gov/about/vdoe_mission.pdf.

16 LE COZ, E. Ex-teachers at Miss. school allege unethical practices. USA Today, 25/05/2014. Disponível em: http://www.usatoday.com/story/news/nation/2014/05/25/ex-teachers-miss-school-allege--unethical-practices/ 9572237/.

17 REBORE, The ethics of educational leadership, p. 25.

18 BLACKABY e BLACKABY, Spiritual leadership, p. 163.

19 REBORE, The ethics of educational leadership, p. 116.

20 DOTGER, B. H. The school leader communication model: an emerging method for bridging school leader preparation and practice. Journal of School Leadership 21(6), 2011, 871-892, p. 871. Disponível em: http://go. galegroup.com.ezproxy.liberty.edu:2048/ps/i.do?p=AONE&u=vic_liberty&id=GALE|A290622760&v=2.1&it=r&sid=summon&userGroup=vic_liberty&authCount=1#.

21 REBORE, The ethics of educational leadership, p. 256.

22 BLACKABY e BLACKABY, Spiritual leadership, p. 193.

23 ÜLTANIR, E. An epistemological glance at the constructivist approach: Constructivist learning in Dewey, Piaget, and Montessori. International Journal of Instruction 5(2), 2012, 195-212, p. 197. Disponível em: http://eric.ed.gov/?id=ED533786.

24 BIESTA, G. J. J. Receiving the gift of teaching: From “learning from” to “being taught by”. Studies in Philosophy and Education 32(5), 2013, 449-461, p. 450.

25 BLACKABY e BLACKABY, Spiritual leadership, p. 163, 316.

26 HUNTER, J. C. The servant: A simple story about the true essence of leadership. Rocklin, CA: Prima Pub., 1998.

27 BLACKABY e BLACKABY, Spiritual leadership, p. 19.

28 VAN BRUMMELEN, H. Steppingstones to curriculum: A biblical path. 2ª ed. Colorado Springs, CO: Purposeful Design, 2002, p. 77.

29 BLACKABY e BLACKABY, Spiritual leadership, p. 320.

30 REBORE, The ethics of educational leadership, p. 318.