Culto on-line, sim. Ceia virtual não. Batismo presencial individual pode. Batismo virtual não

Vivemos um momento extremamente desafiador e os momentos desafiadores nos propõe desafios novos.[1] Quando esses desafios dizem respeito à igreja de Cristo, então as soluções propostas precisam passar pelo crivo da Palavra de Deus. Ainda assim, a questão não é tão simples, porque a interpretação e a aplicação dos textos bíblicos para novas realidades impõem um desafio especial. Teólogos de diferentes matizes tem pensado a respeito das perguntas abaixo e é natural que existam divergências.[1,5] Deve haver grande respeito mútuo e humildade diante das nossas próprias limitações exegéticas, teológicas e eclesiásticas. Não podemos nos esquecer também de que o Espírito Santo deve ser Pessoa fundamental nessas controvérsias e que os concílios da Igreja, embora passíveis de erros, tem em sua palavra maior autoridade do que indivíduos.

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As perguntas com as quais esse texto vai tratar de maneira introdutória são: Podemos fazer culto online/virtual? E a celebração da ceia em tal culto, é válida? É possível celebrar o batismo se o celebrante e o batizado estiverem juntos? E se o celebrante estiver em um lugar e o batizado estiver em outro lugar, seria possível que eles celebrassem o batismo ainda assim usando algum meio eletrônico de comunicação?

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“Culto On-line” Pode? Acredito que sim.

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Existem diferentes “instituições” que são corretamente chamadas de culto. Existe um culto individual, pessoal e prático que cada cristão deve oferecer ao Senhor. Esse culto é a dedicação de toda a nossa vida, a consagração do nosso corpo para o serviço e a glória de Deus. Esse culto é claramente referido em Romanos 12.1: Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional (λογικὴν λατρείαν). Além de ter a ver com fazer absolutamente tudo para a glória de Deus (1Co 10.31; Cl 3.23), esse culto pessoal também tem tudo a ver com a piedade pessoal, momentos de devoção (devocional), de adoração particular a Deus e de exercícios de piedade como orações, jejuns e leitura da Palavra. Esse culto aparece em Lucas 2.37, Atos 24.14 e Romanos 1.9, para citar apenas alguns textos.

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Uma segunda instituição que é chamada de culto é o “culto doméstico” ou culto familiar. Este, graças a Deus voltou a ser muito comentado, incentivado e espero que praticado nesses tempos de pandemia.[2] Existe na Bíblia uma ordem clara de que os pais devem ensinar os seus filhos continuamente. Deuteronômio 6 era considerado um dos textos mais fundamentais e basilares dentro do Judaísmo e ele apresenta a piedade bíblica no contexto da família:

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2 para que temas ao Senhor, teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida; e que teus dias sejam prolongados. […] 4 Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. 5 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. 6 Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; 7 tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. (Deuteronômio 6.2, 4-7)

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O culto doméstico é o momento em que a família se reúne e separa (santifica) um tempo para ler a Bíblia, contar louvores a Deus e conversar sobre a Palavra de Deus. O culto doméstico, somado a um hábito de instrução bíblica é que fará que possamos dizer junto com Josué: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” (Js 24.15).

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Existe, no entanto um terceiro tipo de culto. Esse é o culto público e comunitário de oração ao Senhor Deus. Também chamado de culto congregacional, este ocorre quando o povo de Deus se reúne formalmente para adorar o Senhor Deus por meio de orações com ações de graças por coisas lícitas, leitura das Escrituras, pregação saudável, cânticos de salmos, administração devida dos sacramentos e, excepcionalmente, votos, jejuns solenes, ações de graças especiais.[3] No parágrafo 6, após apresentar os elementos do culto, a Confissão de Fé de Westminster diz:

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Agora, sob o Evangelho, nem a oração, nem qualquer outro ato do culto religioso é restrito a um certo lugar, nem se torna mais aceito por causa do lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija, mas, Deus deve ser adorado em todo o lugar, em espírito e verdade – tanto em famílias diariamente e em secreto, estando cada um sozinho, como também mais solenemente em assembleias públicas, que não devem ser descuidosas, nem voluntariamente desprezadas nem abandonadas, sempre que Deus, pela sua providência, proporciona ocasião.

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Esse parágrafo da Confissão de Fé da Igreja Presbiteriana do Brasil reconhece os diferentes modos de adoração (individual, familiar e comunitário) e enfatiza, baseado em João 4, que o local não é importante, desde que haja a reunião, o ajuntamento ou a assembléia do povo.

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João 4 se torna fundamental nessa discussão. Jesus estava evangelizando a mulher samaritana. Quando ele pergunta de sua vida pessoal, seus relacionamentos, ela se esquiva tentando discutir teologia (atenção: há pessoas que discutem teologia para esconder os próprios pecados). A mulher quer discutir teologia do culto com Jesus: “Nossos pais adoravam (προσεκύνησαν) neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar (προσκυνεῖν).” (João 4.20). A resposta de Jesus se tornou memorável e fundamental para qualquer teologia do culto:

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Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22 Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. 24 Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (João 4.22-24)

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O que Jesus estava querendo dizer àquela mulher com a expressão “em espírito e em verdade”. Essa expressão, como muitas coisas em João, tem um significado duplo. Em espírito aponta tanto para a “não-fisicalidade da adoração, ou seja, o culto a Deus depende mais de um local físico, um templo, uma montanha ou cidade específicas e o culto verdadeiro acontece por intermédio e obra do Espírito Santo de Deus. O segundo aspecto, sobre a verdade aponta, em primeiro lugar, para a verdade que deve caracterizar a vida da pessoa. Aquela mulher estava vivendo uma vida incorreta diante de Deus (vivendo com um homem que não era seu marido). Por isso, Jesus enfatiza a ela: “Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.” (João 4.17-18). A verdade que deveria caracterizar a adoração daquela mulher, portanto, era a verdade de vida, santidade em sua maneira de falar e de agir. Em segundo lugar, no entanto, essa verdade que o texto fala aponta para a Palavra de Deus, tanto Jesus quando o Logos encarnado (João 14.6) quando a Palavra revelada escrita (João 17.17). À luz de João 4, portanto, o culto deve ser (1) além da “fisicalidade”; (2) dependente da ação do Espírito Santo; (3) feito em verdade de vida; (4) feito de acordo com a Palavra encarnada e escrita. Acredito que o “culto on-line” feito de maneira sincera passa em todos esses critérios.

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Por “culto on-line” eu me refiro a um culto cujos atos litúrgicos são feitos em um local ou mais locais e transmitidos para os membros da igreja (seja ao vivo [síncrono], seja de forma gravada [assíncrono]) e para outras pessoas em um meio público (Facebook, YouTube, etc.) para que todos adorem ao mesmo tempo ainda que fisicamente separados. [O “culto on-line” gravado é mais questionável do que a transmissão do “culto on-line” ao vivo, creio eu, mas não discutirei esse tópico aqui].

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Além da diversidade de formas de um culto e do texto de João 4, gostaria de apresentar um terceiro argumento em favor do “culto on-line”. Esse argumento vem de uma característica das cartas paulinas que os estudiosos chamam de “parousia apostólica”.[4] Robert W. Funk foi o primeiro estudioso a propor a existência dessa forma nas cartas paulinas.

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“A designação ‘relatório de viagem’ recomenda a si mesma visto que as passagens em questão parecem estar preocupadas primariamente com os movimentos de Paulo, como de fato, em um sentido, elas estão. Depois de maior reflexão, no entanto, tornou-se claro que Paulo considerava a sua presença apostólica junto as suas congregações sob três diferentes, porém inter-relacionados, aspectos: o aspecto da carta, o emissário apostólico e a sua própria presença pessoal. Todos esse são meios pelos quais Paulo faz a sua autoridade apostólica efetiva nas igrejas. O tema subjacente é, portanto, a parousia apostólica – a presença da autoridade e poder apostólicos – dos quais o relatório de viagem é somente um aspecto”.[5]

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Weima explica essa característica das cartas paulinas da seguinte forma: “O apóstolo, evidentemente, já está se fazendo presente de alguma forma por meio de suas cartas, que são um substituto para a sua presença real. Ainda assim, frequentemente se acha em suas cartas uma seção específica na qual Paulo tenta fazer a sua presença sentida de maneira ainda mais poderosa pelos destinatários ao referir-se a uma visita futura que ele próprio espera fazer aos seis leitores, ao enviar um de seus emissários para uma visita, ou ao seu ato de escrever a carta.”[6]

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As passagens que Funk caracteriza como tendo essa forma e conteúdo são Rm 15.14-33 (e paralelo em 1.8 em diante)[7]; Fm 1.21 em diante, 1Co 4.14-21[8]; 1Ts 2.17 a 3.13[9], Fp 2.19-24; 1Co 16.1-2; 2Co 8.16-23 e 9.1-5. Passagens que Funk considera secundárias quanto a forma são Fp 2.25-30 e 1Co 16.12.[10] Outras passagens lidam com os mesmos assuntos da parousia apostólica, mas não retém a forma das demais: 2Co 12.14; 13.10; Gl 1.6-12; 4.12-20.[11] João também parece usar do recurso da parousia apostólica, ainda que reconhecendo a presença física como sendo superior (2Jo 1.12), o que aliás, é possível perceber também nas parousias apostólicas de Paulo.

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Esse artigo não é o local para maiores explicações da parousia apostólica, mas o objetivo de invoca-lá, visa a demonstrar que já na época de Paulo, por vezes era impossível ao apóstolo fazer-se presente em alguma igreja (por prisão ou por ministério) e ele, então, se fazia presente pelo meio que ele tinha à sua disposição na época: cartas ou emissários. As cartas eram lidas com a comunidade reunida como se o próprio apóstolo estivesse presente (1Ts 5.27; Cl 4.16 e Ap 1.3). Embora eu não esteja argumentando que temos a mesma autoridade apostólica, estou demonstrando por meio da parousia apostólica e do próprio evento epistolar, como os cristãos do primeiro século criaram meios “não físicos” de se relacionar em caso de impossibilidade de fazê-lo. Essa mesma maneira de comunicação a distância foi usada por outros líderes cristãos nos primeiros séculos.[12]

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Assim, apresento esses três argumentos em favor de um “culto on-line”: a natureza dinâmica do culto (que pode ser pessoal, familiar ou comunitário), o texto de João 4 ensinando que a adoração neotestamentária é em Espírito e em verdade e a parousia apostólica e as próprias cartas neotestamentárias que são meios “virtuais” pelos quais os apóstolos se fizeram presentes em suas comunidades mesmo quando não poderiam estar fisicamente presentes. É evidente que um “culto on-line” não é um substituto à altura para o culto comunitário presencial, nem um recurso para tempos de normalidade, mas apenas um recurso muito útil de unir o povo de Deus diante de Deus em tempos de exceção como os de uma pandemia.

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Ceia virtual não. Batismo presencial individual pode. Batismo virtual não.

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Nesses demais aspectos não serei tão detalhado quando no do culto. Quanto à possibilidade de ceia virtual – ou seja, a possibilidade de cada membro preparar os elementos em sua casa e todos tomarem os elementos juntos enquanto o pastor os abençoa on-line – escrevi em outro lugar que não acredito que essa é uma possibilidade (texto). Os argumentos apresentados até aqui por diversos autores são resumidos na tabela a seguir.
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Argumentos a favor da ceia virtual

  • Útil só para tempo de exceção
  • Massificação e realidade da comunicação virtual (Chris Ridgeway em Christianity Today)
  • André Pereira e Bill Riedel: A presença de Paulo em espírito no momento da disciplina (Cl. 2:5 e 1Co. 5:3).
  • André Pereira: diferentes níveis de presença
  • André Pereira e Bill Riedel: Semelhança com a Páscoa comemorada em famílias
  • André Pereira e Bill Riedel: Não ao sacerdotalismo
  • Bill Riedel: Jesus flexibilizou as regras do sábado.
  • Bill Riedel: Atos 2.42-47 implica em ceia nos lares

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Argumentos contrários à ceia virtual

  • Scott Swain e Bobby Jamieson: Uma refeição compartilhada
  • Ageu: CFW e o Catecismo proíbem
  • Scott Swain e Bobby Jamieson: tempo de exílio e tristeza
  • Heber Jr.: A falta de nossa comunhão física necessariamente prejudica a nossa comunhão real, ainda que não a extinga.
  • João Paulo: Ênfase de 1Co 10 e 11 na “reunião”
  • João Paulo: Ênfase de 1Co 10 e 11 no único pão e vinho
  • João Paulo: o problema que Paulo está tratando com relação à desunião na Ceia
  • Ageu Magalhães: Jesus não viu essa possibilidade, pois disse que não mais beberia do fruto da vide
  • Ageu Magalhães: A oração de consagração só vale para os elementos fisicamente presentes

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Por hora vejo os argumentos contra a ceia virtual como mais fortes do que os argumentos apresentados pelos que são a favor, mas não considero hereges aqueles que estão fazendo diferente do que penso. Apenas acrescento um problema a ser pensado: aqueles irmãos e irmãs que não tem equipamentos eletrônicos ou não sabem operá-los ficam de fora da “ceia on-line”? Creio que esse seja um problema prático bastante sério, visto depoor contra a unidade da igreja local.

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Embora a ceia seja uma questão absolutamente central em nossa fé e prática, assim como o culto, o que se está discutindo não é o significado da ceia, nem se devemos ou não praticá-la, mas sim se o formato virtual é válido ou não. Nesse aspecto, não creio que as divergências sejam passíveis de serem caracterizadas por heresia. Tanto os defensores de um lado quanto os de outro consideram a ceia fundamental e estão sinceramente tentando buscar o que é melhor para a igreja de Cristo.

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E a ceia em pequenos grupos? Desde que um ministro da Palavra e dos sacramentos esteja presente e seja o celebrante, não creio que incorremos em um problema quando celebramos a ceia para um grupo pequeno de cristãos. A Ceia tem sido historicamente levada a pessoas enfermas. Neste caso, a mesma será celebrada com os cristãos que estiverem ali presentes dentro de um momento de culto ao Senhor. O sacramento que deu origem à Ceia, a Páscoa judaica, era celebrada em família e creio e que esse fato também deve ser levado em consideração.

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De todas essas possibilidades, a que mais me causa estranheza e rejeição é o “batismo on-line”. Neste, um pastor derrama água no chão do recinto onde está enquanto o batizado derrama água sobre a sua própria cabeça! Veja nisso uma aberração. Estamos em um momento no qual devemos evitar aglomerações, mas pouco impede que o novo convertido ou a criança e o pastor se encontrem para que o batismo possa ser feito pessoalmente. Neste caso, seria um batismo sem a presença da comunidade da fé. Seria isso possível.

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Creio que sim e creio que essa é a evidência do Novo Testamento. A maioria dos batismos apresentados na Bíblia aconteceram em um momento de reunião pública espontânea e ao ar livre, logo após a pregação da Palavra para aqueles que se converteram (João 3.22-23; Atos 2.38-41; 8.12-16; 10.44-48; 16.11-15; 18.8; 19.1-7). Houve alguns casos, no entanto, em que não vemos uma reunião de muitas pessoas, mas somente aquele que ministrará o batismo e aqueles que serão batizados. Esse é o caso do eunuco batizado por Filipe (At 8.36-39); Paulo, batizado por Ananias (Atos 9.17-18; 22.16) e o carcereiro batizado por Paulo (Atos 16.31-34). Assim sendo, não vejo problema em um batismo ser ministrado por um pastor com as pessoas que serão batizadas somente, ou no “culto on-line”, sendo que os batizados estarão presentes no culto enquanto os demais membros da igreja participarão do batismo por meio de seus eletrônicos e depois entrarão em contato com aqueles que foram batizados para dar-lhes as boas-vindas à família da fé e congratularem-se com eles.

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Considerações Finais

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Os tempos em que vivemos são tempos de exceção. Todos devemos ansiar pelo momento em que pudermos estar juntos novamente. O “culto on-line” não substitui o culto congregacional presencial e público de adoração. Assim como Paulo enviava suas cartas, mas demonstrava desejo intenso de estar pessoalmente com os irmãos das igrejas, da mesma forma nós devemos aproveitar os meios de comunicação à distância, enquanto ansiamos pela nossa reunião.

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Devemos continuar pensando, escrevendo e debatendo respeitosamente sobre esses assuntos, pois nesses momentos, podemos aprender mais sobre a vontade revelada de Deus para a vida de sua igreja, lições estas que serão úteis não somente para o atual momento, mas quiçá nos permitirão avançar em nosso conhecimento de Deus e de sua vontade para o Corpo de Cristo.

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Que Deus nos ajude!

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Outros textos sobre o assunto de diversos autores e posições

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[1] Este texto reflete as opiniões atuais de seu autor e não as opiniões das instituições nas quais o mesmo trabalha. Todos devemos estar dispostos a servir a igreja da melhor maneira possível e a sermos corrigidos pela Palavra. É nesse espírito e com disposição de mudar de opinião caso convencido pela Palavra que escrevo o presente artigo.

[1,5] Veja textos do meu amigo Filipe Fontes, no começo dessa crise, sobre esse aspecto: https://medium.com/@filipefontes/%C3%A9-melhor-ficar-calado-6148d8a3a208; https://medium.com/@filipefontes/ainda-sobre-a-suspens%C3%A3o-dos-cultos-o-que-fazer-escrito-em-17-03-2020-c9cfa8ac74cd.

[2] Links:

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[3] A lista de elementos que compõe o culto é apresentada conforme a Confissão de Fé de Wesminster, capítulo 21.
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[4] “Os estudiosos têm chamado o uso que Paulo faz de uma carta como substituto para a sua presença física de parousia apostólica”. Ben Witherington III, Jesus, Paulo and the End of the World, Downers Grove: InterVarsity Press, 1992, p. 152
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[5] Robert W. Funk, “The Apostolic Parousia: Form and Significance” em W. R. Farmer; C. F. D. Moule e R. R. Niebuhr, Christian History and Interpretation: Studies Presented to John Knox. Cambridge: Cambridge University Press, 1967, p. 249.
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[6] Weima, J. A. D. The Reason for Romans : The Evidence of Its Epistolary Framework (1:1-15; 15:14-16:27). Review and Expositor[s. l.], v. 100, n. 1, p. 17–33, 2003, p. 25. Na mesma páginca, ele acrescenta: “The apostolic parousia has an important function in Paul’s letters. The apostle does not inform his readers about the future travel plans of himself and his emissaries merely to satisfy their curiosity or to provide details about himself and others for their general interest. Instead, the apostolic parousia is an effective literary device by which Paul can exert his authority over his readers”.
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[7] Weima comenda essa característica desse texto da seguinte forma: “Assim, por exemplo, Paulo emprega a parousia apostólica perto do fim da carta aos Romanos (15.14-33) para fazer a sua presença e autoridade experimentadas entre os cristãos romanos – diversas igrejas nos lares na cidade imperial as quais Paulo não havia fundado nem visitado – de tal forma poderosa que ele assegura a aceitação de sua autoridade apostólica sobre eles e o evangelho sobre o qual ele está escrevendo de maneira bastante assertiva no corpo da carta. Ou, novamente, o anúncio da iminente visita de Paulo em Filemom 22 (Além disso, prepare-me um aposento, porque, graças às suas orações, espero poder ser restituído a vocês.) funciona como uma ameaça indireta ao próprio Filemom: o apóstolo promete ir a Colossos para verificar pessoalmente se a sua petição a favor do escravo Onésimo foi observada.” Jeffrey A. D. Weyma, 1-2 Thessalonians. Grand Rapids: Baker, 2014. E-Book.
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[8] “O que se segue (4.17-21) é uma espécie de pós-escrito epistolar adicionado à primeira prova retórica. Falando dos planos de viagem de Paulo, sua  função é de expressar parousia apostólica”. Raymond Collins, First Corinthians. Collegeville: Liturgical Press, 1999. Veja: Jonhson, L. A. Paul’s epistolary presence in Corinth: a new look at Robert W. Funk’s apostolic parousia. The Catholic Biblical Quarterly, v. 68, n. 3, p. 481–501, 2006. NEsse artigo, Jonhson afirma que Paulo usa a parousia apostólica na carta aos coríntios como uma forma de diminuir sua autoridade e se adaptar à situação específica daquela igreja.
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[9] Comentando a parousia apostólica de Tessalonicenses, Jeffrey Weima diz: “A função da parousia apostólica em 1 Tessalonicenses 2.17–3.10, no entanto, é um pouco diferente daquela encontrada em outros lugares das cartas de Paulo. Aqui o apóstolo faz a sua parousia, ou presença, mas fortemente experimentada entre os cristãos tessalonicenses não tanto para exercer a sua autoridade, mas para assegurá-los de seu contínuo amor e carinho por eles”. Jeffrey A. D. Weyma, 1-2 Thessalonians. Grand Rapids: Baker, 2014. E-Book.
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[10] Robert W. Funk, “The Apostolic Parousia: Form and Significance” em W. R. Farmer; C. F. D. Moule e R. R. Niebuhr, Christian History and Interpretation: Studies Presented to John Knox. Cambridge: Cambridge University Press, 1967, p. 250.
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[11] Segundo Funk, uma parousia apostólica tem a seguinte forma:

1. Intenção da escrita (Rm 15.14-15a)

2. Base de sua relação apostólica com os leitores (Rm 15.15b-21)

3. Desejo de ir: (a) expressão do desejo de visitar (Rm 15.23), (b) expressão de desejo ou esperança de visitar (Rm 15.24b), (c) afirmação de que foi impedido até agora de visitar (Rm 15.22), desejo de enviar um emissário (Rm 15.24b) e (d) afirmação de que quanto puder ele mesmo irá (Rm 15.25-29).[11]

4. Invocação da benção divina para que ele consiga visitá-los.

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[12] Por exemplo: carta de Ignácio aos Romanos (https://en.wikipedia.org/wiki/Epistle_of_Ignatius_to_the_Romans), carta de Clemente aos Coríntios (https://en.wikipedia.org/wiki/First_Epistle_of_Clement) e possivelmente a Carta de Policarpo aos Filipenses (https://en.wikipedia.org/wiki/Epistle_of_Polycarp_to_the_Philippians), entre outras.