Home

Blog Andrew Jumper

Tradições: Problemáticas ou Benéficas?

Uma das grandes controvérsias da Reforma do século 16 girou em torno da tradição eclesiástica, valorizada pela igreja católica como fonte de verdades cristãs e rejeitada pelos protestantes, que queriam ficar somente com a Bíblia (sola Scriptura). Em si mesmo, o termo “tradição” (em grego parádosis e em latim traditio) tem uma acepção positiva, significando “entrega” ou “transmissão”, neste caso, das verdades da fé. Embora Jesus tenha repudiado certas tradições religiosas dos judeus como distorções ou mesmo contradições da lei de Deus (ver Mt 15.3,6 e Mc 7.8,9,13), os apóstolos tiveram uma atitude muito construtiva em relação a esse conceito, numa referência os ensinos que receberam de Cristo e transmitiram às igrejas (1 Co 11.2; 2 Ts 2.15). Em conexão com esse tema, Paulo usa várias vezes a fórmula “porque eu recebi o que também vos entreguei” (1 Co 11.23; 15.3).

A Atividade do Pastor como Evangelísta

Em seu livro The pastor-evangelist [O pastor-evangelista], o missiólogo Roger Greenway relata um fato interessante ocorrido com um pastor no Siri Lanka há alguns anos. Aquele homem havia pastoreado uma das maiores igrejas da região, mas em uma determinada manhã enfrentou um desafio acima de suas habilidades e precisou, desesperadamente, buscar o auxílio de um missionário nas redondezas. Pelo telefone o pastor explicou ao missionário que havia um monge budista à porta da sua casa, o qual estava interessado em se tornar um cristão, mas ele não sabia o que fazer naquelas ocasiões. O pastor justificou seu pedido de ajuda dizendo que se dedicara tanto às atividades da igreja local e a assistência aos membros que já não sabia evangelizar…

Repensando os fundamentos bíblicos da plantação de igrejas

A igreja americana “Catedral da Esperança,” em Dallas, Texas, é uma das maiores igrejas da denominação Comunidade de Igrejas Metropolitanas dos Estados Unidos e está entre as que mais crescem na América, com uma média de 1600 pessoas, nos domingos pela manhã, na Escola Dominical. Isto a coloca na faixa de 1% das igrejas nacionais que têm mais de 1.000 membros. O pastor da igreja, Michael Piazza, já está se queixando de que o espaço é pequeno e deseja comprar um novo prédio. Surpreendentemente, trata-se de uma igreja que atende a população homossexual e lésbica. Piazza deseja tornar a Catedral numa “catedral psicológica,” que venha servir como o centro espiritual mundial dos homossexuais e lésbicas cristãos. Estou citando este caso para exemplificar que é perfeitamente possível fazer uma igreja local crescer sem que isso tenha….

O Catecismo de Heidelberg: Sua História e Influência

Uma das principais características da Reforma Protestante do século XVI foi a produção de um grande número de declarações doutrinárias na forma de confissões e catecismos.Estas declarações resultaram tanto de necessidades teológicas quanto pastorais, à medida em que os novos grupos definiam a sua identidade em um complexo ambiente religioso, cultural, social e político. Mark Noll observa que esse fenômeno é típico da Reforma, uma vez que o termo “confissão”, em seu sentido mais comum, designa as declarações formais da fé cristã escritas especialmente por protestantes, desde o início do seu movimento.

O Episódio da rainha de Sabá numa perspectiva missiológica

Este artigo tem como objetivo analisar o episódio da rainha de Sabá desde uma perspectiva missiológica, atentando para os mecanismos de comunicação utilizados por Salomão para responder às perguntas que lhe foram feitas. Esta análise é feita levando em conta as diversas tradições extra bíblicas que mencionam este evento. Sendo um estudioso do Antigo Testamento, sempre lamentei a contribuição quase inexistente da sabedoria de Salomão e de eventos como este da visita da rainha nos estudos de missões e evangelismo. Assim, este artigo visa contribuir para o empenho evangelístico mundial com novas perspectivas, propondo que a proclamação das verdades do evangelho deve ser seguida pela ativação das mesmas, e que para isso o Espírito Santo pode utilizar nosso estilo de vida.

O pastor e a Síndrome de Burnout: uma Abordagem Teológica-Pastoral

Burnout é exaustão emocional. O burnout pode fazer com que a pessoa desista daquilo com o que ela se manteve apaixonadamente comprometida por anos. Infelizmente, muitos no ministério se desgastam tentando manter todos felizes ao redor e procurando fazer com que cada demanda do ministério seja bem-sucedida, seja um novo programa, uma série de sermões, aconselhamentos ou administração eclesiástica. Aspirar ao sucesso não é errado. O que é errado e perigoso é almejar o status que ele confere. Isso seria a busca da afirmação ou o simples desejo de parecer bem aos olhos dos outros. Geralmente, a força motora por detrás dessa atitude é o medo do fracasso ou rejeição por alguém. O presente artigo aborda alguns dados de pesquisadores sobre o burnout pastoral e lista certos fatores que podem ser compreendidos como seus causadores, bem como indica alguns recursos terapêuticos para manter a vitalidade no ministério pastoral.

Pregação no Antigo Testamento: É mesmo necessária?

D. Martyn Lloyd-Jones afirma em seu livro Pregação e Pregadores que “a mais urgente necessidade da Igreja hoje é de verdadeira pregação; e como é a maior e a mais urgente necessidade da igreja, é também, obviamente, a maior necessidade do mundo”.(1) Essa necessidade certamente não mudou de figura desde a primeira publicação de Pregações e Pregadores em 1971.(2) O que mudou, no entanto, foi o interesse na pregação nos últimos vinte anos. Percebeu-se, no mundo cristão,(3) que não há substituto para a pregação. Antigas escolas liberais e tradicionais, que defendiam o uso de outras formas de ensino como substituto para a pregação…

Lutero e os Antinomistas: Qual é a visão evangélica da lei?

Depois de apresentar os componentes essenciais da doutrina luterana de justificação, este artigo introduz a controvérsia antinomista com João Agrícola na qual ele questiona se o arrependimento era resultado da exposição da lei ou da pregação do evangelho. É apresentada como cenário da discussão a estrutura hermenêutica de lei e evangelho e resumida a oposição de Agrícola aos ensinos de Filipe Melanchton, seguida da resposta de Lutero e da ratificação da Fórmula de Concórdia. Este artigo defende que há uma necessidade de contar essa história novamente para atender a certas necessidades do cenário evangélico brasileiro e internacional.

O Pensamento Escatológico de Calvino

Uma vez que Calvino não escreveu um comentário bíblico sobre o Apocalipse, existe a tendência de acreditar que ele não se importava muito com escatologia ou que se considerava incapaz de tratar do assunto. Este artigo mostra que essa posição pode estar equivocada por vários motivos, entre eles o que Calvino de fato considerava como escatologia, sua preocupação em evitar especulações e a consciência da limitação da linguagem humana para descrever o mundo vindouro. A partir de uma análise da obra  de Calvino, busco esclarecer que há uma ligação indissociável entre Escatologia e Soteriologia na obra dos reformadores, especialmente em Calvino.

Calvino e os Calvinistas da Pós Reforma

Em livros de história do pensamento cristão, é comum a tese de que os “calvinistas” distorceram a teologia de João Calvino. Dentre outros argumentos, ela se respalda no rearranjo de doutrinas que gera um determinismo, no aparente subjetivismo puritano quanto à doutrina da segurança do crente, na condicionalidade dentro do pacto da graça como estranha a Calvino e na afirmação de que o escolasticismo protestante produziu uma teologia árida e rígida. Neste artigo busco abandonar a ideia de Calvino como o único ponto de referência de ortodoxia e compreender o aspecto de continuidade entre Calvino e os reformados posteriores, além do desenvolvimento que estes trouxeram à tradição reformada.

Não Deixemos de Congregar-nos: Enfrentando o Problema da Evasão de Membros

Uma das situações que mais afetam as igrejas evangélicas e afligem os seus líderes é o afastamento de membros. Tal fenômeno não é recente, mas tem se agravado nos últimos anos, constituindo-se num grande desafio no âmbito pastoral. São variadas as causas que levam as pessoas a abandonarem suas igrejas e tais causas precisam ser conhecidas, analisadas e enfrentadas. Este artigo se propõe a discutir essa questão dos pontos de vista histórico e bíblico, propondo, ao mesmo tempo, medidas que podem ser tomadas para atenuar essa dificuldade.