Sua igreja necessita de revitalização? Como saber?

Valdeci Santos

17 November 2017

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Sua igreja necessita de revitalização? Como saber?

RESUMO

Revitalização de igrejas tem se tornado um assunto de extrema importância na discussão acadêmica e na prática ministerial. Inúmeras contribuições têm sido disponibilizadas com respeito a métodos e estratégias de revitalização. No entanto, ainda há necessidade de uma abordagem mais clara acerca de como elaborar um diagnóstico preciso sobre a condição espiritual de uma igreja local. Quais critérios deveriam ser observados para se afirmar que uma determinada congregação necessita de revitalização? Este artigo aborda tal questão por meio da análise de algumas sugestões comumente oferecidas a esse respeito e pelo enfoque a alguns princípios bíblicos que respaldam um diagnóstico preciso. O objetivo do artigo é minimizar a confusão existente sobre esse assunto e ajudar os pesquisadores a olhar para a igreja sob a ótica escriturística.

PALAVRAS-CHAVE


Igreja; Eclesiologia; Revitalização; Diagnóstico; Inovações; Programas; Pesquisas.


INTRODUÇÃO

 

Certamente toda igreja deveria ser repleta de vitalidade, pois ela é o corpo do Cristo vivo sobre a terra (cf. Rm 12.5; 1Co 12.12, 27; Ef 4.12; 5.23). No entanto, as Escrituras revelam e a realidade comprova que a igreja visível experimenta momentos de declínio e perda de vitalidade no mundo atual. Não há nenhuma contradição nesse sentido, pois seu caráter multiforme possibilita que a igreja triunfante permaneça vitoriosa nos céus, ao passo que a igreja militante enfrente, na dispensação atual, inúmeras provas e dificuldades na terra que afetem seu vigor.1 Nessas ocasiões de abatimento e declínio a igreja necessitará revitalização.

 

Até recentemente, o Movimento do Crescimento da Igreja (MCI) era um dos tópicos mais debatidos na missiologia protestante.2 Essa discussão contribuiu para o refinamento da abordagem de vários outros temas relacionados à atividade missionária da igreja, tais como: missão integral,3 evangelização urbana,4 plantação de igrejas,5 etc. Nos últimos anos, porém, observa-se grande atenção dada à importância da revitalização da igreja local.6 Nos Estados Unidos, por exemplo, esse enfoque é perfeitamente compreensível, pois desde a década de 1990 “mais de 80% das igrejas americanas estabelecidas estão estagnadas ou em declínio”.7 Em se tratando da realidade evangélica brasileira, conquanto ela ainda não tenha sido analisada estatisticamente, parece haver indicadores suficientes de que aqui também há muitas congregações carentes de revitalização.

 

O interesse acerca da revitalização de igrejas parece ser justificado por, ao menos, três vantagens relacionadas a esse processo. Em primeiro lugar, o benefício econômico, pois uma igreja em declínio, diferentemente daquela que se inicia, já possui patrimônio e acomodações para suas atividades regulares. A revitalização não implica necessariamente em maiores gastos, e possui o potencial do aproveitamento da estrutura física existente. Também, a revitalização contribui com o progresso missionário, pois seu resultado final pode ser um testemunho concreto de amor cristão pelos enfraquecidos e abatidos, bem como a redescoberta da alegria de se anunciar o evangelho à vizinhança. Por último, há a utilidade estratégica, pois, considerando que uma igreja sempre se reproduz, uma congregação revitalizada se multiplicará em igrejas saudáveis.8 Nesse sentido, o cuidado pela revitalização antes da multiplicação de igrejas parece atender a lógica do bom senso. Por essa razão, considerando os prós e contras da revitalização de igrejas, tem havido consenso geral quanto ao fato de que essa é uma atividade fundamental ao cristianismo contemporâneo.9

 

É difícil desenvolver um diálogo proveitoso sobre revitalização de igrejas sem uma definição específica do assunto. Nesse sentido, há concordância entre os estudiosos de que revitalização diz respeito a “restaurar a vida de igrejas em declínio, abordando a causa do abatimento, e edificando-as em direção à fidelidade”.10 Tom Cheyney interpreta a questão de maneira mais organizacional e define revitalização de igrejas como um “movimento dentro do evangelicalismo” contemporâneo.11 Todavia, a perspectiva mais acertada sobre esse assunto parecer ser aquela que descreve a revitalização de igrejas teologicamente, como um processo ao invés de um movimento ou organização. Assim, Michael Ross insiste que revitalização é

o processo por meio do qual uma igreja é redirecionada à sua missão de evangelização e edificação, bem como renovada no esforço de ministrar aos outros de tal forma que o crescimento numérico, espiritual e organizacional se torna uma realidade.12

 

Assim, nesse processo, a participação humana na análise do contexto, identificação do problema e aplicação dos princípios bíblicos em prol da recuperação da igreja local é imprescindível.

 

Outra questão que necessita de maiores esclarecimentos diz respeito ao processo pelo qual é possível se obter um diagnóstico acurado acerca da condição da igreja local. Como saber se uma igreja precisa de revitalização? Quais sintomas deveriam ser considerados ou ignorados? Como ocorre em outras áreas, há alguns indícios que são reveladores e outros completamente irrelevantes e que acabam distraindo as pessoas envolvidas no processo. Análises equivocadas e conclusões apressadas ou tardias podem resultar em efeitos danosos à igreja local. Assim, este artigo procura considerar a possibilidade do diagnóstico eclesiástico a partir de uma perspectiva bíblica e teológica. Para tanto, serão realizados dois procedimentos básicos: a exclusão de alguns elementos passíveis de enganos e confusões e, por outro lado, a concentração em alguns princípios bíblicos norteadores para uma análise precisa sobre o assunto. No final, espera-se que essa reflexão resulte em benefícios práticos para a liderança das igrejas locais.

1. SUGESTÕES COMUNS

 

Como saber se uma igreja local necessita de revitalização? Como avaliá-la? Quais critérios deveriam ser observados? Na literatura sobre esse assunto há várias sugestões interessantes, mas que precisam de fundamentação bíblica e por isso refletem mais a genialidade dos seus proponentes do que a perspectiva bíblica. Essa verdade pode ser observada pela análise de três respostas comumente apresentadas a esse respeito.

 

1.1 Muito mais do que simples inovações

Mudanças, adaptações e melhorias na igreja sempre são necessárias, e essa verdade tem sido especialmente confessada pela teologia reformada em seu slogan Ecclesia reformata, semper reformanda est. Confundir, no entanto, necessidades de mudança com sintomas de declínio pode precipitar ao erro. Um exemplo claro nesse sentido ocorreu no movimento de renovação de igrejas nas décadas de 1960 a meados de 1990.

 

A preocupação do movimento de renovação de igrejas com o declínio da vitalidade do cristianismo foi claramente expressa na literatura da época. No livro A Quest for Vitality in Religion (“Uma busca de vitalidade na religião”),13 Findley Edge observava que havia “algum problema muito sério […] afetando o cristianismo contemporâneo”. O autor ainda pontuou: “Existe alguma coisa errada no seu cerne [do cristianismo]. [Ele] corre o perigo de perder a vida e a dinâmica”.14 A mesma inquietação foi compartilhada por muitos ao redor do mundo, inclusive alguns missionários em terras brasileiras.15

 

A proposta do movimento de renovação de igrejas consistia de variadas sugestões em prol de inovações da estrutura eclesiástica. Alguns defendiam o conceito da “igreja nos lares”, construída a partir de unidades familiares ao invés de crentes isolados.16 Outros advogavam que a igreja não deveria ter estrutura alguma, nem mesmo nome, pois a ênfase seria no organismo e não na organização.17 Ao comentar o movimento pela renovação de igrejas, Gene A. Getz avalia que faltou àquelas propostas uma filosofia de ministério que considerasse seriamente a eclesiologia bíblica e as mudanças sociais. Logo, as suas contribuições acabaram sendo insatisfatórias e até frustrantes.18

 

Entretanto, alguns ainda continuam advogando mudanças inovadoras como condição sine qua non para a revitalização de igrejas. Por exemplo, diante das dificuldades dos cristãos alcançarem os “sem-igreja”, alguns missiólogos realizaram pesquisas com essa população procurando compreender melhor o que os mantém afastados de uma igreja organizada. Dois pesquisadores influentes indicam que para se alcançar os “sem-igreja” é necessário inovar, mudando alguns elementos como o nome da instituição, os elementos formais da liturgia, a contratação de pastores mais carismáticos e a pregação de mensagens direcionadas às necessidades dos ouvintes, ao invés das complexas doutrinas cristãs.19 No entanto, essas pesquisas foram intensamente criticadas pelo fato de se limitarem a uma população desprovida de qualquer comprometimento com uma igreja local e sem nenhuma indicação de que estava disposta a assumir compromisso.

 

Pensando nisso, Thom Rainer, auxiliado por sua equipe de pesquisadores, conduziu outro estudo. Nessa pesquisa a população consistiu de pessoas cuja conversão havia ocorrido nos últimos três anos, período em que elas ainda se lembrariam com clareza dos fatores que as atraíram à igreja e as mantiveram integradas naquele contexto. As conclusões da pesquisa de Rainer foram, em alguns pontos, diametralmente opostas aos estudos de missiólogos anteriores. O grupo entrevistado por Rainer afirmou que os “sem-igreja” não são afastados pelo nome da instituição, pois normalmente não estão interessados nesse assunto quando se unem a uma igreja local. Algumas pessoas surpreenderam ao afirmar que se interessaram especialmente pelas mensagens doutrinárias, pois elas expunham verdades que respondiam a seus questionamentos interiores. Outras ainda explicaram que não possuíam qualquer expectativa referente à acomodação da liturgia, pois sabiam estar entrando em um ambiente diferente e aguardavam novidades.20 Assim, segundo os entrevistados por Rainer, inovações não são a solução para se recobrar a vitalidade das igrejas.

 

Há que se concluir, portanto, que nem toda inovação é benéfica. Conquanto mudanças sejam importantes, confundir os sintomas do declínio de uma igreja com necessidades de mudanças superficiais pode resultar em um diagnóstico deficiente e piorar a vitalidade do organismo eclesiástico. Towns Elmer observa que o ponto a ser considerado é: “Estaria Deus satisfeito com nossas inovações? A vitalidade não consiste naquilo que nós podemos fazer, mas em obedecer ao que Deus quer para nós”.21

 

1.2 Muito mais do que números

Qualquer pessoa familiarizada com a literatura sobre revitalização de igrejas percebe rapidamente que um dos fatores mais sugeridos para se diagnosticar o declínio de uma igreja é a perda significativa de membros no decorrer dos anos.22 Há variações com respeito ao período recomendado como critério de avaliação, mas no geral o tempo proposto é entre uma e duas décadas.23 Estudos comparativos e estatísticos são comumente apresentados para justificar o diagnóstico e recomendar o crescimento numérico como remédio para a igreja em declínio.24 Assim, números se tornam o catalizador determinante em uma análise sobre a vitalidade da congregação.

 

Os números certamente são importantes, pois eles proporcionam a objetificação e quantificação de um fenômeno orgânico como o crescimento. Nesse sentido, Gildásio Reis argumenta que o “crescimento numérico é, sem dúvida alguma, um sinal de vitalidade”.25 Por isso, o desenvolvimento físico é geralmente medido e pesado a fim de se obter um diagnóstico dos aspectos positivos e negativos envolvidos nesse fenômeno. Além disso, o escritor de Atos dos Apóstolos empregou números para descrever o crescimento e o avanço do cristianismo no primeiro século da era cristã. Ele registrou que o grupo de discípulos cresceu de 120 para quase 3.000 pessoas no dia de pentecostes (cf. At 1.15 e 2.41). A igreja continuou a crescer e pela intervenção de Deus o número subiu para 5.000 (cf. At 2.42 e 4.4). Após esses relatos estatísticos, Lucas se limitou e informar que a igreja “crescia”, o número de discípulos se multiplicava e a Palavra de Deus avançava alcançando novas pessoas (cf. At 5.14; 6.7; 9.31, etc.). Dessa forma, não há razões para se alimentar qualquer “numerofobia”.

Por outro lado, a “numerolatria” também deve ser evitada, pois a avaliação meramente estatística de fenômenos orgânicos pode incorrer em erros. Logo, o crescimento desordenado pode ser tão nocivo como a falta dele, tanto na biologia como no meio eclesiástico. Assim como obesidade não significa crescimento saudável (embora haja aumento de peso), a simples multiplicação da membresia de uma congregação não corresponde à vitalidade. Se assim fosse, os reformadores nunca seriam justificados por terem saído do romanismo. Por outro lado, uma igreja da pequena cidade que trabalha intensamente evangelizando sua comunidade para, ao final de cada ano, constatar a estagnação ou diminuição do rol de membros causada pela transferência de algumas famílias para cidades maiores com o objetivo de investir nos estudos dos filhos não pode ser, por essa razão, considerada uma igreja enferma. Certamente estudos experimentais podem ser excelentes recursos para revelar os sintomas de um fenômeno, mas eles não conseguem explicar as causas do mesmo fenômeno adequadamente.26 As estatísticas necessitam ser adequadamente analisadas; dados precisam ser processados e interpretados a fim de que a conclusão seja adequada ao fenômeno.

 

Assim, embora o crescimento numérico seja significativo, julgar a vitalidade de uma igreja somente com base nesse fator pode ser extremamente arriscado. Comparações estatísticas podem sugerir apenas que algo necessita ser investigado antes de se proclamar qualquer diagnóstico conclusivo.

 

1.3 Muito mais do que programas

Outros elementos comumente apontados como indicadores de estagnação ou perda de vitalidade da igreja local podem ser agrupados na categoria de “programações”. O fato é que muitos escritores sobre esse assunto defendem que a saúde de uma igreja local pode ser avaliada pela programação que ela adota ou negligencia. Por exemplo, MacNair argumenta que a igreja viva deve possuir um programa de evangelismo.27 Thom Rainer, por sua vez, advoga que as igrejas que não possuem um programa de envolvimento com a comunidade ao redor se encontram muito enfermas.28 Gildásio Reis também propõe o estabelecimento de um diagnóstico por meio da programação, pois ele insiste que a igreja que desenvolve um programa de sobrevivência e manutenção acaba revelando sua condição de estagnação ou declínio. Essa igreja, na perspectiva de Reis, certamente negligenciará a evangelização e o discipulado.29 Logo, de acordo com essa abordagem, o declínio ou a vitalidade de uma igreja local podem ser analisados por meio de programações e programas (adotados ou ignorados).

 

Certamente é bíblico afirmar que as escolhas pessoais refletem as motivações e os desejos do coração (cf. Pv 4.23; Lc 6.45). Tiago argumenta que as escolhas erradas e as contendas procedem das motivações dos corações que precisam ser purificados (cf. Tg 4.1-8). Portanto, concluir que escolhas e decisões revelam as condições do coração humano parece bíblico e sábio. Todavia, é arriscado aplicar essa mesma regra em se tratando da igreja, o agrupamento de pessoas salvas, com diferentes níveis de compreensão e maturidade espiritual e, de certa maneira, submissos a uma liderança. Em alguns casos, não são os membros das igrejas que decidem a programação a ser adotada ou negligenciada, mas a sua liderança. Além do mais, há variados fatores envolvidos nessas decisões e as questões contextuais têm grande importância em decisões comunitárias. Assim, conquanto as preferências de uma igreja devam ser analisadas como sintomas, será sempre perigoso transformar esses sintomas em critérios determinantes para o diagnóstico acerca da saúde dessa igreja local.

 

A dificuldade em identificar alguma programação específica como indicador da situação de estagnação ou declínio de uma igreja também diz respeito ao fato de que, se uma programação causa enfermidade, somente outra atividade poderá restaurar o vigor. Esse raciocínio acabará conduzindo a igreja às propostas de inovação do movimento de restauração de igrejas. O problema é que, como já foi observado, isso pode resultar em frustrações e desânimo. Além do mais, Reeder observa que as “igrejas que estão morrendo tendem a focalizar em programas”.30 Portanto, é necessário encontrar alguns critérios mais bíblicos e objetivos para se realizar uma análise mais abalizada e um diagnóstico mais acertado.

 

2. PRINCÍPIOS BÍBLICOS

 

Edmund Clowney afirma corretamente que “uma doutrina da igreja que não é centralizada em Cristo é autofrustrante e falsa”.31 Logo, a melhor maneira de se analisar a vitalidade de uma igreja é fazê-lo a partir dos ensinamentos encontrados nas Escrituras. Nesse sentido, é comum encontrar dois tipos de abordagem na literatura sobre revitalização de igrejas. Por um lado, há aqueles que utilizam alguma igreja neotestamentária como estudo de caso a fim de extrair dela princípios para diagnóstico e prescrições referentes à revitalização da igreja.32 Outros identificam características de uma igreja saudável a partir de abordagens expositivas de alguma porção das Escrituras.33 Contudo, ambos os tratamentos parecem se esquecer do estudo sistemático das cartas de Paulo escritas a igrejas enfermas com o objetivo de ajudá-las na recuperação da vitalidade perdida. Nessas cartas há princípios sólidos que contribuem no estabelecimento de um diagnóstico preciso sobre a vitalidade ou perda de vigor de uma igreja. O ensino de Paulo sobre as características de uma igreja enferma pode ser organizado em três categorias. Certamente cada uma delas poderia ser explorada e ilustrada com maior profundidade do que é possível fazer neste espaço.

 

2.1 O afastamento do evangelho da graça

Em sua carta aos gálatas, o apóstolo Paulo identifica a enfermidade daquela igreja pelo fato de ela estar se afastando do evangelho da graça e abraçar uma caricatura religiosa que não equivalia ao evangelho verdadeiro (Gl 1.6-9). O apóstolo ainda repreendeu a insensatez dos gálatas pelo fato de eles imaginarem que pela força das obras e do legalismo poderiam obter perfeição (Gl 3.1-4). Esse erro também pode ser identificado na primeira carta de Paulo aos coríntios, pois alguns daquela igreja pareciam tão fascinados com a busca de sinais e sabedoria que negligenciavam a cruz de Cristo e seus resultados graciosos (cf. 1Co 1.18-25). Escrevendo aos colossenses, de igual modo Paulo enfatiza o perigo de aqueles irmãos se deixarem “enredar” pela filosofia vã e pelos rudimentos do mundo, ao invés de focalizarem no Cristo que cancelou o escrito de dívida que era contra os redimidos (Cl 1.8-15). Dessa forma, é possível concluir que a vitalidade de uma igreja está intimamente conectada ao compromisso da mesma com o evangelho da graça.

 

De certa forma, a pesquisa acadêmica também observa a verdade de que o afastamento da graça é um dos principais indícios de que a igreja necessita de revitalização. Embora esse detalhe não seja explicitado nas estatísticas, ele se faz presente nos principais estudos a esse respeito. Por exemplo, o estudo de Ed Stetzer e Mike Dodson sobre igrejas que experimentaram revitalização conclui que um dos principais fatores de vitalidade da igreja é a doutrina da pessoa e obra de Cristo.34 O inverso também é verdade, ou seja, onde a cristologia bíblica não está presente, a estagnação ou o declínio estará. Semelhantemente, o estudo de Thom Rainer sobre as igrejas que lentamente entram na rota do declínio observa que a “grande omissão” quanto ao evangelho é uma constante.35 Em outras palavras, o princípio bíblico continua a ser objetivado na experiência cristã contemporânea.

 

Por se tratar de uma verdade cientificamente verificada, muitos livros sobre revitalização de igrejas enfatizam a ruína que o afastamento do evangelho da graça produz em relação à vitalidade da igreja local. Nesse sentido, Harry L. Reeder afirma que “igrejas que se tornaram ineficazes em alcançar o mundo ao redor geralmente se tornaram assim porque perderam de vista a centralidade da graça de Deus”.36 O guia para revitalização de igrejas de Donald J. MacNair também enfatiza a mesma máxima.37 Por último, o estudo de Hernandes D. Lopes sobre o assunto também conclui que um dos primeiros sintomas de enfermidade de uma igreja local é o declínio doutrinário.38 Assim, alguns falam sobre “diluição da doutrina”, outros fazem referência ao “abandono da mensagem evangelística” e ainda outros denunciam o “afastamento da pregação da graça”. Mas no geral, todos parecem cientes de que o afastamento do evangelho da graça de Cristo indica que a igreja perdeu o centro e necessita de revitalização.39 Como sempre acontece, a ausência de algo central à natureza da igreja acaba sendo preenchida com algo periférico. Assim, elementos como o legalismo, o tradicionalismo, o formalismo, o ritualismo, a curiosidade doutrinária e inúmeros programas ativistas acabam caracterizando a igreja em declínio. Porém, ao invés de focalizar esses periféricos, é necessário observar que eles são resultados do abandono do evangelho da graça.

 

2.2 A erosão da liderança

Em sua despedida dos presbíteros de Éfeso, o apóstolo Paulo parece ter indicado que os problemas da igreja teriam início a partir da liderança, quando surgissem “lobos vorazes” entre eles que não poupariam o rebanho (cf. At ٢٠.٢٩). Anos mais tarde, ao escrever suas cartas ao jovem pastor Timóteo, que pastoreava a igreja de Éfeso, o mesmo apóstolo indica que alguns problemas daquela igreja tinham sua origem no fato de que alguns líderes ensinavam outra doutrina (1Tm 1.3-4, 8-11). Por essa razão, ele apresenta instruções minuciosas sobre as qualificações de líderes verdadeiros para cuidarem da “casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo” (1Tm 3.1-15). Dessa maneira, uma liderança inadequada parece ser uma das principais características de uma igreja estagnada ou enferma.

 

A importância da liderança no processo de revitalização de igrejas é comumente destacada nas obras sobre esse tema. Alguns partem do clichê de que “tudo se ergue ou desmorona a partir da liderança”, mas o fato é que a maioria dos pesquisadores reconhece que “o fator número um a contribuir para que igrejas experimentassem revitalização foi a liderança”.40 Reeder é enfático ao defender que “os líderes exercem tal impacto sobre as pessoas que uma igreja não pode ser revitalizada sem bons líderes”.41 Certamente por essa razão, ao descrever os doze princípios aprendidos em uma pesquisa de campo sobre igrejas que se destacaram nos Estados Unidos nos últimos anos, Thom S. Rainer destacou o papel da liderança, seu pastoreio, visão e comunicação com o rebanho.42

 

Para a saúde de uma igreja local, o custo de uma liderança inadequada é muito alto, e tanto a Bíblia quanto a história da igreja oferecem importantes lições a esse respeito. Líderes inadequados, na perspectiva de Reeder, são aqueles que vivem no passado ao invés de aprenderem dele, se acomodam ao presente ao invés de transformá-lo e vivem a esperar o futuro ao invés de contemplá-lo visionariamente.43 Thom Rainer, por sua vez, observa que uma liderança deficiente é caracterizada por ignorância doutrinária, apatia evangelística, irrelevância ministerial e comunhão fraternal fragmentada.44 O fato é que esse tipo de líderes não conseguirá influenciar seus liderados em prol de uma verdadeira revitalização, pois em suas próprias vidas manifestam sintomas de enfermidades.

 

Além disso, o desajuste na liderança de uma igreja local acaba resultando numa série de elementos nocivos à sua vitalidade. Por exemplo, a luta pela retenção do poder ao invés do comprometimento com o serviço. Quando isso ocorre, a liderança se torna mais parecida com Diótrefes e seu gosto por exercer a primazia do que a fidelidade de Demétrio (cf. 3Jo 9-12). A influência disso sobre a igreja é que o rebanho passa a viver para si mesmo e para a sua autopreservação, assim como seus líderes.45 A erosão na liderança também pode resultar na “perda” em “loquacidade frívola”, a ponto de a igreja ser caracterizada por asseverações teológicas ao invés do ensino que conduz à vida e à piedade (cf. 1Tm 1.6-7). O resultado disso sobre a igreja local será a busca do conhecimento teórico e teológico, sem comprometimento com a prática. As facções e dissensões em uma igreja local de alguma maneira também podem ser alimentadas ou solucionadas a partir de seus líderes. O resultado dessa atitude sobre os liderados será o fato de eles viverem motivados por preferências pessoais ao invés de convicções bíblicas.

 

Finalmente, como afirma Reeder, “liderança, por definição, significa influência”,46 e essa verdade tem aspectos positivos e negativos. Portanto, um diagnóstico acurado sobre a saúde de uma igreja local necessariamente considerará a liderança da mesma.

 

2.3 A mundanização da igreja

A igreja de Corinto pode, com muita propriedade, ser tomada como um estudo de caso de uma igreja carente de revitalização. Embora fosse enriquecida em toda palavra e conhecimento (1Co 1.4-6), e capacitada com vários dons espirituais (1Co 12-14), aquela igreja foi severamente repreendida pelo apóstolo Paulo em suas cartas. Embora ela não tenha sido tratada da mesma maneira que os gálatas, sua situação certamente é de declínio e Paulo deixa isso claro em seus escritos. Em certo sentido, o problema daquela igreja parece ter sido resultado da mundanização, ou seja, o processo de conformidade aos padrões mundanos, adotado por ela. Por exemplo, a idolatria de personalidades a ponto de haver divisões em torno de alguns (1Co 1-4), a conformidade com a impureza e injustiça dentro da própria comunidade (1Co 5-6), a falta de amor fraternal nas questões culturais (1Co 8-10) e nas práticas litúrgicas e devocionais (1Co 11-14), entre outras coisas, deixavam claro que o procedimento dos membros daquela igreja se assemelhava mais ao mundo do que a Cristo. Assim, a mundanização de uma igreja acaba sendo a comprovação de sua enfermidade espiritual.

 

A mundanização adoece a igreja porque essa condição implica na renúncia prática do seu chamado, ou seja, santidade. Nesse sentido, Edmund Clowney lembra que “a santidade da igreja significa que a vida, tanto quanto a verdade, caracteriza a igreja de Cristo”.47 Dessa forma, quando a santidade é comprometida, a enfermidade se instala na comunidade cristã. É interessante observar ainda que Paulo, embora tenha reprovado as atitudes mundanas da igreja de Corinto, logo no início de suas cartas àquela igreja atestou o chamado dela à santidade (cf. 1Co 1.2 e 2Co 1.1). Ou seja, a santidade da igreja não deve ser compreendida apenas em termos posicionais, como Deus a vê em Cristo ou o seu estado diante de Deus, mas também existenciais e morais, isto é, a maneira como ela é vista no mundo presente ou sua condição experiencial (cf. 1Pe 1.14-16). A santidade posicional deveria motivar a busca da santidade existencial e diária. Embora Paulo tivesse consciência da condição santa da igreja em Cristo (Fp 1.1; 4.21; Cl 1.2) e de que o processo de santificação da igreja só seria concluído no retorno de Jesus (1Ts 4.17), ele nunca presumiu que a demonstração da santidade prática fosse desnecessária. Ao contrário, quando a igreja de Corinto se acomodou a uma imoralidade que não era comum nem entre os não cristãos, o apóstolo confrontou aqueles irmãos dizendo: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento” (1Co 5.6-7). Logo, se a santidade é vital para a igreja de Cristo, a mundanização a faz enfermar.

 

Além de ser uma rejeição do seu chamado fundamental, a assimilação de práticas mundanas pela igreja resulta em fatores que prejudicam seu testemunho no mundo. Por exemplo, uma igreja comprometida com o mundanismo geralmente fracassa em alcançar ou causar qualquer impacto na comunidade. Assim, ao preferir a “acomodação” ao invés de “transformação” cultural, a igreja confirma seu declínio. Além do mais, é interessante que esse detalhe tenha sido identificado como uma caraterística de uma igreja moribunda na “autópsia” descrita por Thom Rainer.48 O efeito colateral dessa incapacidade de alcançar a comunidade ao redor é que a igreja passa a cultivar a nostalgia dos dias de glória, ou seja, ela geralmente vive no passado.49 Dessa maneira, para justificar sua condição presente, a igreja normalmente recorre a uma mentalidade de vitimização. Em outras palavras, “a igreja se torna como um time de futebol que perdeu todos os jogos nos últimos dez anos e já tem uma lista de desculpas para as derrotas que está prevendo para a próxima temporada”.50 Por último, a igreja mundanizada acaba promovendo na comunidade escândalos que dificultam mais ainda o processo de revitalização. Nesse sentido, Reeder lembra que “reputação não é o que escrevemos em nossos boletins, mas o que as pessoas realmente pensam de nós”.51

 

Dessa forma, a assimilação de práticas mundanas pela igreja é um sintoma imprescindível a apontar para sua condição de decadência. Todavia, esse é um sintoma com variados efeitos colaterais que devem ser cuidadosamente analisados.

 

CONCLUSÃO

 

Conquanto toda igreja deva ser repleta de vitalidade, nem sempre isso acontece. Há igrejas locais que têm sido caracterizadas pela estagnação, perda de vigor e declínio espiritual ao invés de vitalidade. Essas igrejas necessitam desesperadamente de revitalização. Todavia, sempre é necessário cuidado no diagnóstico, pois é possível confundir efeitos colaterais com sintomas de enfermidades. Este artigo procurou listar alguns exemplos de confusão a esse respeito e ressaltar algumas categorias de elementos que biblicamente deveriam ser observados no estabelecimento de um diagnóstico cuidadoso. Somente assim a liderança local poderá responder seguramente se sua igreja necessita de revitalização.

 

ABSTRACT

 

Church revitalization has become a topic of extreme importance in academic studies as well as in ministerial practice. Several contributions have been made available regarding methods and strategies of church revitalization. However, there seems to be still a necessity of a clearer approach towards the elaboration of an accurate diagnosis on the spiritual condition of a local church. What criteria should be considered in order to determine that a local church really needs revitalization? This article deals with this question by analyzing some common suggestions regarding this issue and by focusing on some biblical principles that contribute for a solid diagnosis. The main objective of the article is to minimize confusion about this topic and help researchers to look at the church from the perspective of Scripture.

 

KEYWORDS

 

Church; Ecclesiology; Revitalization; Diagnosis; Innovations; Church programs; Research.

Valdeci da Silva Santos  é bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul – Extensão de Goiânia (B.Th., 1988), mestre em Teologia Sistemática (Th.M, 1997) e doutorado em Estudos Interculturais pelo Reformed Theological Seminary (Ph.D., 2001). Em 2011 concluiu seus estudos pós doutorais em Aconselhamento Bíblico pela Christian Counseling Educational Foundation – CCEF. Atualmente é Secretário Geral de Apoio Pastoral da IPB e Vice-diretor do CPAJ.

1 BERKHOF, Luis. Teologia sistemática. Grand Rapids, MI: TELL, 1983, p. 674-675. Edmund Clowney discorre sobre esse assunto ao tratar da “igreja como Deus vê (invisível a nós) e a igreja como nós a vemos (visível a nós)”. Cf. CLOWNEY, Edmund. A igreja. São Paulo: Cultura Cristã, 2007, p. 104-105.
2 A enorme produção sobre esse assunto torna impossível listar todas as contribuições sobre tal debate, mas é possível relacionar alguns títulos importantes sobre esse tópico: McGAVRAN, Donald A. Understanding Church GrowthGrand Rapids: Eerdmans, 1970; How to Grow a Church. Venture: Regal Books, 1973; Ten steps for church growth. San Francisco: Harper and Row, 1977; PETERS, George W. theology of church growth. Grand Rapids: Zondervan, 1981; WAGNER, C. Peter. Strategies for Church GrowthVenture: Regal Books, 1987.
3 Cf. PADILLA, C. René. O que é missão integral? Viçosa, MG: Ultimato, 2009; LONGUINI NETO, Luiz. O novo rosto da missão. Viçosa, MG: Ultimato, 2002; YAMAMORI, Tetsunao; PADILLA, C. René; RAKE, Gregório. Servindo com os pobres: modelos de ministério integral. Curitiba: Editora Descoberta, 1998.
4 Cf. GREENWAY, Roger. Ide e fazei discípulos. São Paulo: Cultura Cristã, 2001; LINTHICUM, Robert C. Cidade de Deus, cidade de SatanásBelo Horizonte, MG: Missão Editora, 1995; LINTHICUM, Robert (ed.). Signs of Hope in the CityMonrovia, CA: MARC, 1995.
5 Cf. QUEIROZ, Edison. A igreja local e missões. São Paulo: Vida Nova, 1987; LIDÓRIO, Ronaldo. Plantando igrejas. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
6 REEDER III, Harry L. A revitalização de sua igreja segundo Deus. São Paulo: Cultura Cristã, 2011; LINTHICUM, Robert C. Revitalizando a igrejaSão Paulo: Editora Bom Pastor, 1996; NIXON, David F. Leading the Comeback Church. Kansas: Beacon Hill Press, 2004; RUSSELL, Ronny. Can a Church Live Again? Macon, GA: Smyth & Helwys, 2004.
7 ARN, Win. The Pastor’s Manual for Effective Ministry. Monrovia, CA: Church Growth Inc., 1988, p. 16.
8 SCHMUCKER, Matt. Why revitalize? 9 Marks Journal (Nov.-Dez. 2011): p. 25-28.
9 McKINLEY, Mike. The pros and cons of planting and revitalizing. 9 Marks Journal (Nov.-Dez. 2011): p. 29-32.
10 JAMIESON, Bobby. The Bible’s burden for church revitalization. 9 Marks Journal (Nov.-Dez. 2011): p. 21. Cf. CROFT, Brian. What is church revitalization? Disponível em: http://practicalshepherding.com/2013/10/02/what-is-church-revitalization. Acesso em: 9 dez. 2013.

11 CHEYNEY, Tom. What does church revitalization mean? Disponível em: http://renovateconference.org/church-revitalization-definition. Acesso em: 9 dez. 2013.
12 ROSS, Michael F. Preaching for Revitalization: how to revitalize your church through your pulpit. Fearn, Escócia: Mentor, 2006, p. 21.
13 EDGE, Findley B. A Quest for Vitality in ReligionMacon, GA: Smyth & Helwys Publishing, Inc., 1994, p. 9.
14 EDGE, 1994, p. 9.

15 SNYDER, Howard. Vinho novo, odres novos: vida nova para a igreja. São Paulo: ABU, 2005. Snyder foi missionário no Brasil na década de 1970 e seu livro foi composto a partir de suas observações e participações na igreja brasileira.
16 PETERS, George W. Saturation Evangelism. Grand Rapids: Zondervan, 1970.
17 GIRARD, Robert C. Brethren, Hang LooseGrand Rapids: Zondervan, 1972.

18 GETZ, A. Gene A. Igreja: forma e essência. São Paulo: Vida Nova, 1994, p. 24.
19 Cf. HUNTER III, George G. Church for the Unchurched. Nashville, TN: Abingdon Press, 1996; STROBEL, Lee. Inside the Mind of Unchurched Harry and Mary. Grand Rapids: Zondervan, 1992.
20 RAINER, Thom. Surprising Insights from the Unchurched. Grand Rapids: Zondervan, 2008.
21 ELMER, Towns, STETZER, Ed; BIRD, Warren. 11 Innovations in the Local ChurchVentura, CA: Regal, 2007, p. 17.

22 RAINER, Thom. Autopsy of a Deceased Church. Nashville, TN: B&H Publishing Group, 2014; EASUM, Bill. A Second Resurrection: leading your congregation to a new life. Nashville, TN: Abingdon Press, 2007; RAINER, Thom. Breakout Churches. Grand Rapids: Zondervan, 2005; STETZER, Ed; DODSON, Mike. Comeback Churches: How 300 churches turned around and yours can too. Nashville, TN: B&H Publishing Group, 2007.
23 REIS, Gildásio. Revitalização e crescimento: uma nova vida para você e sua igreja. São Paulo: n.p., 2012, p. 46. RAINER, 2014, p. 11-16 e 39-46.
24 RAINER, 2005, p. 15-23. MACNAIR, Donald J. The Living Church: a guide for revitalization. Philadelphia: Great Commission Publications, 1982, p. 11-12.
25 REIS, 2012, p. 56.
26 WALKER, Wendy. The strengths and weaknesses of research designs involving quantitative measures. Journal of Research in Nursing. Sage Publications, vol. 10, 2005, p. 571-582; CARR, Linda T. The strengths and weaknesses of quantitative and qualitative research: what method for nursing? Journal of Advanced Nursing, vol. 20, 1994, p. 716-721.
27 MACNAIR, 1982, p. 21-30.
28 RAINER, 2014, p. 25-30.
29 REIS, 2012, p. 46 e 48.

30 REEDER, 2011, p. 12.
31 CLOWNEY, 2007, p. 15.
32 Reeder utiliza a igreja de Éfeso e Rainer descreve a autópsia de uma igreja a partir da igreja de Sardes em Apocalipse 3.1-6.
33 Cf. LOPES, Hernandes Dias; CASIMIRO, Arival. Revitalizando a igreja. São Paulo: Hagnos, 2012; DEVER, Mark. O que é uma igreja saudável? São José dos Campos, SP: FIEL, 2009.
34 STETZER e DODSON, 2007.
35 RAINER, 2014, p. 25-30.
36 REEDER, 2011, p. 18, 42-56.

37 MACNAIR, 1982, p. 21-30.
38 LOPES e CASIMIRO, 2012, p. 35-37.
39 KELLER, Tim. Center Church. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2012, p. 13-52.
40 STETZER e DODSON, 2007, p. 34.
41 REEDER, 2011, p. 84.
42 RAINER, 2005.
43 REEDER, 2011, p. 85.
44 RAINER, 2005, p. 73-74.
45 REIS, 2012, p. 46.
46 REEDER, 2011, p. 85.
47 CLOWNEY, 2007, p. 68.
48 RAINER, 2014, p. 25-30.
49 REEDER, 2011, p. 13-14.
50 REEDER, 2011, p. 15-16.
51 REEDER, 2011, p. 17-18.