História da Igreja

A DIFUSÃO DO MOVIMENTO REFORMADO NA CONFEDERAÇÃO SUÍÇA

Alderi Souza de Matos

O reformador Ulrico Zuínglio foi impelido por dois tipos de motivações: humanismo bíblico e fervor patriótico. Quanto ao primeiro elemento, Zuínglio se tornou um grande estudioso das Escrituras nas línguas originais, um notável pregador e expositor bíblico, e um firme defensor da autoridade da Palavra de Deus. Ele entendia que a essência da vida cristã é a conformidade com a vontade de Deus conforme expressa em sua Palavra e que esta deve ser o único fundamento para a fé cristã e o culto cristão. Somente o que a Bíblia ordena ou indica claramente é obrigatório ou permissível (“princípio regulador”). Suas idéias estão contidas nos Sessenta e Sete Artigos que redigiu para o primeiro debate de Zurique (1523), no seu Comentário Sobre a Verdadeira e a Falsa Religião (1525) e em outras obras.

Além de pregador e teólogo, Zuínglio era um patriota e foi, no aspecto político, o mais talentoso dos reformadores. Ele desejava que o evangelho bíblico fosse pregado livremente em todos os treze cantões da confederação suíça e nas regiões adjacentes da Alemanha. Inicialmente, apenas Zurique abraçou a fé reformada. Em seguida, a partir de 1522, houve a adesão gradual de Basiléia, especialmente mediante os esforços do reformador João Ecolampádio (1482-1531). Berna, o maior dos cantões, foi ganha para a reforma em 1528, através de um debate público em que Zuínglio teve papel destacado. O cantão natal de Zuínglio, St. Gallen, também foi ganho, bem como Schaffhausen e Glarus, e as cidades de Constança e Mülhausen, na Alsácia. Outra conquista importante para a fé reformada foi a cidade alemã de Estrasburgo, onde atuaram os reformadores Wolfgang Köpfel ou Capito (1478-1541) e o notável Martin Bucer (1491-1551).

Lamentavelmente, como foi visto no artigo anterior, Lutero e Zuínglio não chegaram a um consenso no que diz respeito à Ceia do Senhor. O primeiro acreditava na presença real ou física de Cristo na Ceia e o segundo interpretava o sacramento de maneira simbólica, comemorativa. Tal divergência enfraqueceu o movimento evangélico mais amplo. Além disso, os velhos cantões rurais de Uri, Schwyz, Unterwalden e Zug, bem como a cidade de Lucerna, rejeitaram a reforma e criaram um forte partido católico. Quando os dois grupos se enfrentaram na segunda batalha de Kappel (11 de outubro de 1531), o próprio Zuínglio foi uma das vítimas fatais. Outra vítima foi a reforma na Suíça alemã, cujo progresso foi permanentemente detido. Zuínglio foi sucedido na liderança da igreja de Zurique por Johann Heinrich Bullinger (1504-1575), líder hábil e conciliador, que, entre outras contribuições, teve participação destacada na redação do Acordo de Zurique (Consensus Tigurinus, 1549) e nas chamadas Confissões Helvéticas.

A filiação da cidade de Berna ao protestantismo reformado foi da mais alta relevância. Esse fato salvou o zuinglianismo do isolamento na confederação suíça e – o que é mais importante – contribuiu para a adesão de Genebra à causa reformada, livrando-a do domínio dos duques católicos de Savóia. Com isso, tornou-se possível a obra do expoente mais ilustre da causa reformada – João Calvino.

“E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR.” Isaías 11.2
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