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Artigo: O LAICATO NA TEOLOGIA E ENSINO DOS REFORMADORES (Volume IV)

Por Antonio José do Nascimento Filho

Resumo

Antes de analisar o ensino dos reformadores sobre o laicato, um retrospecto geral mostrará a posição da Igreja Católica Romana com respeito ao assunto no período da Reforma. Na época em que o cristianismo tornou-se a religião aceita do Império Romano, o sistema hierárquico de autoridade estava plenamente estabelecido na igreja. Os leigos ficavam naturalmente na camada mais baixa. Vários níveis de posição separavam-nos dos bispos colocados no topo. Enquanto a igreja estava cada vez mais institucionalizada, os cristãos comuns pareciam tornar-se cada vez menos essenciais nas atividades da igreja. Mais e mais o seu papel foi se tornando o de receber e seguir obedientemente o que descia do alto da escala hierárquica. A assim chamada Idade das Trevas manteve a tendência já mencionada. Enquanto a igreja e o estado continuavam a disputar a sujeição da massa popular, o cristão comum não se sentia estimulado a ir muito além de seguir as regras e regulamentos impostos pela igreja. A tradição da Igreja Católica Romana fez uma nítida diferenciação entre leigos e religiosos. Estes eram os que assumiam as ordens, compreendendo dois grupos, os sacerdotes e os monges. A ordenação era a designação para um determinado ofício, feita por um bispo, incluindo autorização e responsabilidade para realizar os deveres do ofício atribuído. A distinção entre o clero e o laicato foi mantida e aceita como divinamente estabelecida.1 Na teologia e ensino católicos, o sacerdócio consagrado pelo sacramento da ordem era visto como comissionado para cumprir a tríplice função do ofício sacerdotal: ensino, administração e santificação. Assim, o sacerdote, como membro da hierarquia, cumpria a missão da igreja divinamente estabelecida, como autoridade de ensino e agente sacramental, tornando disponíveis ao laicato os meios de graça através dos sacramentos.2 A distinção entre o laicato e o clero na tradição católica romana era correspondente à distinção entre a igreja e o mundo. A igreja era concebida como societas perfecta (sociedade perfeita), porém inequalis (desigual), com os status clericalis e laicalis, tendo cada grupo seus respectivos direitos e responsabilidades.3 O clero, com o direito e a responsabilidade de administrar os sacramentos, era ordenado para uma vocação sagrada. O laicato, que precisava receber os sacramentos e o ensino, devia procurar o seu trabalho no mundo, o ambiente profano. Eclesiasticamente, a igreja, o ambiente sagrado, tinha prioridade sobre o profano. Implícita nessa distinção estava a valorização do ofício do clérigo. Os monásticos, que renunciam à participação eclesiástica no mundo (isto é, o profano) por assumirem os votos de celibato, pobreza e obediência, eram designados para a atividade religiosa.

Palavras-chave

LAICATO TEOLOGIA ENSINO REFORMADORES Antonio José do Nascimento Filho

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