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Fides Reformata 22 N1

Volume XXII

 

Número 1 – 2017

+ EDITORIAL

É com grande alegria que apresentamos ao nosso leitor o volume XXII, no 1, da revista Fides Reformata, dando continuidade a duas décadas de contribuição ininterrupta à pesquisa teológica na América Latina. Nos últimos anos, após a decisão de publicar a cada edição um artigo em inglês, Fides também iniciou sua contribuição no cenário mundial. Conheça toda essa contribuição eletronicamente no site oficial do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper e em bancos de dados como ATLA Serials, Fuente Academica, etc.

 

Nesta edição, o primeiro artigo, “O princípio ético de Provérbios”, de minha autoria, faz um levantamento do que pode ter sido parte do princípio ético fundamental por trás das admoestações do livro de Provérbios, tomando como exemplo as instruções e admoestações referentes aos perigos da sociedade israelita. Segundo o autor, os perigos são basicamente três: a) as más companhias, b) a indiferença e c) a promiscuidade. As instruções e admoestações visam estabelecer uma norma de conduta aceitável, que orienta e regula essa definição daquilo que é ou não aceitável. O segundo artigo, “O cristão e as idolatrias políticas”, de Francisco Cauê Cruz de Oliveira Paula, oferece uma proposta que pode auxiliar os cristãos na tarefa de dialogar com algumas das principais ideologias políticas da nossa época: liberalismo, marxismo, conservadorismo, democracia e nacionalismo. Para cumprir tal propósito, o autor correlaciona os conceitos de ideologia e idolatria, em seguida analisa as principais ideologias políticas, organizando-as de acordo com os ídolos que ocupam seus altares, e, finalmente, observa dois aspectos que unem as ideologias políticas, concluindo que o cristão deve se relacionar criticamente com elas.

 

O terceiro artigo, “A morte de Jesus Cristo e a oferta do evangelho”, de Paul Wells, argumenta que a convicção de que a redenção é particular, ou seja, de que Jesus Cristo morreu para salvar apenas o seu povo e não todos, não contradiz a oferta universal do evangelho, antes é um poderoso estímulo para ela. Segundo o autor, a “redenção particular” é o fundamento do anúncio geral das boas novas. O quarto artigo, “Educação teológica para um ministério urbano multicultural”, de Valdeci S. Santos, demonstra que, enquanto a urbanização se mostra uma realidade em cada continente, levando as nações (panta ta ethne) a se mudarem para as cidades, a igreja ainda precisa fazer essa transição, intelectual, estratégica e teologicamente. Segundo o autor, a igreja está despreparada para o ministério na cidade. Sua herança e treinamento teológico não a equiparam para as exigências da urbanização. Visto que o desafio urbano não irá desaparecer, os cristãos não podem continuar ficando fora da cidade. A igreja deve se tornar parte da cidade, integrada na cidade, a fim de conquistar a cidade para o reino de Deus.

 

O quinto artigo, “Os hartlibianos e a reforma espiritual e cultural da Inglaterra seiscentista”, de Vitor Albiero, trata de um grupo reformista inglês, que, atraído pelos princípios da Reforma Protestante, anelava por uma reforma completa da Inglaterra do século 17. Os hartlibianos se destacaram entre os que nutriam a expectativa de que a Inglaterra deveria ocupar o centro mundial da divulgação do conhecimento, bem como reunir a liderança protestante da Europa. O sexto e último artigo, “The meaning of μυστήρια in 1 Corinthians 14:2” (o significado de “mistérios” em 1 Coríntios 14.2), de João Paulo Thomaz de Aquino, contribui para uma melhor compreensão do significado desse conceito no referido texto. O autor apresenta quatro interpretações diferentes sobre o tema antes de definir mistério como uma parte do sábio e soberano plano de Deus referente ao eschaton, o qual esteve presente de forma parcial e oculta no Antigo Testamento, mas foi revelado segundo a vontade de Deus no Novo Testamento. A grande novidade, segundo o autor, é que o conceito de mistério foi revelado por meio do dom de línguas.

 

A seção de resenhas traz avaliações de obras relevantes para o contexto atual da igreja. São elas: O mundo perdido de Adão e Eva: o debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis, de John Walton, resenhado por André Leonardo Venâncio; Teologia puritana: doutrina para a vida, de Joel R. Beeke e Mark Jones, resenhado por Alan Rennê Alexandrino Lima; A verdade: como comunicar o evangelho a um mundo pós-moderno, de Donald A. Carson (org.), resenhado por Emilio Garofalo Neto; Presbiterianos x pentecostais: a reação da Igreja Presbiteriana do Brasil ao advento do pentecostalismo em Pernambuco (1920-1930), de José Roberto de Souza, resenhado por Alderi Souza de Matos, e Procurei Alá, encontrei Jesus: um muçulmano piedoso abraça o evangelho, de Nabeel Qureshi, resenhado por Robson Rosa Santana.

 

Mantendo o compromisso da revista em proporcionar e incentivar uma reflexão teológica reformada, entrego aos leitores mais uma edição de Fides Reformata, desejoso de que estes artigos e resenhas despertem mais uma vez o interesse por pesquisas que visam contribuir para a edificação do povo de Deus, servindo sua igreja ao redor do mundo.

 

Boa leitura!

Dr. Daniel Santos
Editor Geral

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