Fides Reformata
Home Fides Reformata

Fides Reformata 15 N1

Volume XV

 

Número 1 – 2010

+ EDITORIAL

 

Esta edição de Fides Reformata tem a contribuição de apenas um professor do Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Os demais autores são alunos, ex-alunos e pessoas não ligadas ao CPAJ. Os artigos e resenhas abordam uma saudável variedade de temas históricos, bíblicos e teológicos.

 

No primeiro texto, o pastor e professor batista Franklin Ferreira trata de um tema polêmico: o esforço do regime nazista visando usar a igreja evangélica alemã para seus fins ideológicos. Apelando a uma obra de Richard Steigmann-Gall, o autor mostra como a liderança do regime utilizou um discurso “cristão” de linha teológica liberal, associado à sua cruel política anti-semita. A tentativa de controle estatal da igreja levou ao surgimento da “igreja confessional”, o que resultou na chamada “luta” ou “disputa pela igreja”. Nesse movimento de resistência à idolatria estatal, adquiriram notoriedade pastores e teólogos como Martin Niemöller, Karl Barth e Dietrich Bonhoeffer. O artigo também aborda dois documentos da época que são cruciais para o estudo das relações entre a Igreja e o Estado: “A existência teológica hoje” e a “Declaração Teológica de Barmen”.

 

No segundo artigo, o Rev. João Paulo Thomaz de Aquino, professor assistente de Novo Testamento no CPAJ e ex-aluno da instituição, argumenta que o apóstolo Paulo escreveu o texto de 1 Coríntios 6.12-20 no estilo de uma diatribe. Depois de expor diversos problemas hermenêuticos associados a essa importante passagem bíblica, o autor oferece várias evidências que permitem afirmar que Paulo utilizou o estilo diatríbico. Especial atenção é dada aos slogans ou jargões equivocados que o apóstolo coloca na boca de um interlocutor imaginário, com a intenção de instruir e alertar os cristãos de Corinto. Esse entendimento da natureza do texto favorece a solução dos problemas hermenêuticos levantados na primeira seção.

 

O texto seguinte foi produzido pelo Rev. Dario de Araújo Cardoso, ex-aluno do CPAJ e professor do Seminário Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição. Apoiando-se em obras de Sidney Greidanus e Bryan Chapell, o autor analisa a pregação sobre personagens bíblicos, em especial do Antigo Testamento, à luz do conceito de pregação cristocêntrica. Ele questiona a hermenêutica e a homilética “exemplarista” apontando para sua abordagem antropocêntrica, tendência para a moralização e espiritualização, e consequente banalização do texto bíblico. À luz do Novo Testamento e do ensino dos reformadores, ele defende e ilustra a preparação de sermões biográficos dentro de uma perspectiva cristocêntrica e histórico-redentiva.

 

No quarto artigo, Francisco Mário Lima Magalhães, outro graduado do CPAJ, questiona um chavão que se tornou usual em certos meios evangélicos, a idéia de que “o diabo já está debaixo de nossos pés”. Apoiando-se na análise exegética de diversos textos bíblicos relevantes, alguns dos quais utilizados pelos defensores desse conceito, ele argumenta que, embora o Maligno seja descrito nas Escrituras como um ser vencido por Jesus Cristo na cruz, ele ainda não foi neutralizado em definitivo, mas guerreia contra a igreja e os crentes, cabendo a estes resistir-lhe com os recursos providos por Deus.

 

No texto seguinte, dois acadêmicos ligados à Universidade Estadual de Maringá (PR) analisam cinco manuais de história da educação com o objetivo de mostrar a influência da Reforma Protestante no sistema educacional da Escócia. O período estudado se estende desde 1560, com a implantação oficial do protestantismo reformado naquele país e a apresentação do Primeiro Livro de Disciplina, até 1872, quando uma nova lei educacional pôs fim ao predomínio da igreja reformada na educação. O principal mérito do sistema educacional reformado foi um esquema de educação integrado nacionalmente e universalizado, ou seja, para pessoas de todas as idades e condições sociais. Os autores mostram que, apesar da secularização do sistema educacional que se seguiu à lei de 1872, a igreja e a fé reformada deixaram marcas duradouras na sociedade e na educação escocesas.

 

No último artigo, Elizabeth Charles Gomes, uma aluna do Centro de Pós-Graduação, analisa o livro Vermelho Brasil, escrito por Jean-Christophe Rufin, ex-adido cultural da França em Recife. Nessa obra, que reúne personagens verídicos e fictícios, Rufin faz uma releitura dos episódios referentes à França Antártica, a pequena colônia estabelecida por Nicolas Durand de Villegagnon na baía de Guanabara em meados do século 16. Esse experimento incluiu a participação de um pequeno grupo de huguenotes enviados pelo reformador João Calvino e a igreja reformada de Genebra. A articulista procura destacar alguns temas interessantes trabalhados pelo autor do livro, como o encontro entre duas culturas tão díspares (europeia e indígena), as atitudes em relação à natureza e o entrechoque de cosmovisões religiosas contrastantes (católicos, reformados e anabatistas).

 

No final da revista, encontra-se um conjunto de resenhas que abordam quatro áreas distintas e relevantes em que atuam autores reconhecidos: filosofia cristã (Herman Dooyeweerd), apologética (Michael Horton), teologia bíblica (Eugene H. Merrill) e espiritualidade (Ravi Zacharias). Nosso desejo é que os leitores mais uma vez se sintam enriquecidos e estimulados pelo conteúdo de Fides Reformata.

 

 

Alderi Souza de Matos, Th.D.
Editor

ARTIGOS

RESENHAS

VERSÃO ONLINE